Lisboa – O Presidente da UNITA, Isaías Samakuva recusou recentemente  convites que os dois canais de TV estatal  (TPA e a TV Zimbo) o formularam para um exclusivo. De acordo com fonte partidária a recusa do político é baseada na percepção de que o pedido da entrevista obedece a estratégia do regime em dividir a UNITA, visto que nos últimos dois anos estes dois canais públicos nunca se dignaram entrevistar o líder deposto do “Galo Negro”, Adalberto Costa Júnior.

Fonte: Club-k.net

Planos para dividir partido do “Galo Negro”

A convicção no interior da UNITA, é de que, desde o regresso de  Samakuva no  leme do partido, o regime tem  procurado  criar um Estado de opinião para se  produzir  a impressão ou insinuar de que este político esteja comprometido ao MPLA.

A saber:

1.A UNITA tinha as suas contas bloqueadas desde finais de 2020, mas nas últimas semanas, logo após o regresso de Samakuva, foram sendo aliviadas (conta da bancada parlamentar) e por conseguinte o ministério das finanças liberou verbas que devia a este partido.


2.João Lourenço exonerou Adalberto Jr como membro do conselho da República, renomeando Isaías Samakuva e logo a seguir convocou para o dia 25 de Outubro, uma reunião desta cúpula. A medida está a ser interpretada como esforços de JL para “humilhar” e “enciumar” Adalberto Costa Jr.

 

3.Rumores espalhados no interior do regime insinuando que Isaías Samakuva teve um “recente” encontro com o director do SINSE, Fernando Garcia Miala.


4. Rumores espalhados no seio de “revus” - apoiantes da Frente Unida Democrática  - sugerindo   que o regime teria prometido dar a UNITA,  90 deputados nas próximas eleições em troca da  não realização de um congresso para se re-eleger Adalberto Costa Jr.


Na passada quarta-feira (20), a UNITA reuniu a sua comissão política onde  94% dos membros votaram pela realização do novo congresso previsto  para o dia 4 de Dezembro deste ano. No dia da reunião,  o regime distribuiu “falsos convites” a activistas em nome da UNITA. Estes quando chegaram a sede do Sovismo, em Viana,  irritaram-se porque foram impedidos de ter acesso ao recinto pelos guardas, uma vez que não eram membros da Comissão Política. Na parte exterior do local, o regime terá despachado  “desconhecidos revus” trajados com camisolas  com as siglas ACJr, em que se insinuavam apoiantes de Adalberto Costa Júnior. Alguns deles foram vistos depois a fazer confusão atacando uma viatura de jornalistas da TPA.


Neste mesmo dia, os repórteres da media oficial que foram despachados para cobertura do acto final da reunião da Comissão Política da UNITA, no Sovismo, em Viana, receberam orientações superiores para captar imagens de qualquer acto que indiciasse distúrbio ou violência que tivessem lugar fora do local, para se poder provar que o “problema” que este partido vive é interno e que nada tem a ver com o MPLA. Foram também orientados que em caso de registros de detenções, que entrevistassem os polícias de plantão para ajudar a expor a alegada desorganização e o lado “violento” da UNITA.

 

De acordo com leituras pertinentes, a estratégia do regime foi no sentido de construir uma imagem de Adalberto Costa Júnior para que seja visto como “promotor de violência e de arruaças” e de não estar acatar as orientações do acórdão 700/2021, que o afastou da presidência da UNITA.


Adalberto Costa Júnior, tem merecido a solidariedade de Isaías Samakuva que nas suas intervenções tem repetidamente enfatizado   que o acórdão 700/2021 do Tribunal Constitucional tem como objectivo “criar confusão entre os militantes” e “lançar os angolanos os angolanos uns contra os outros, desmobilizar o movimento social para mudança e impedir a alternância”.


No passado dia  21 de outubro, logo a seguir a reunião da comissão politica, Isaías Samakuva validou nomeações feitas por Adalberto Jr, interpretadas como um sinal ou recado ao regime de que a UNITA está coesa.

 



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