Luanda - O politólogo angolano Olívio Nkilumbu considerou hoje "perigosas e desajustadas" as declarações do Presidente angolano, dirigidas ao presidente da UNITA, na sua posse no Conselho de República, afirmando que João Lourenço demonstrou ter "preferência de adversários políticos".

Fonte: Lusa

"Acho que foi uma comunicação perigosa porque é desajustada no momento, por um lado, e é um pouco consequência das figuras que o Presidente da República conforma, nomeadamente presidente do MPLA, partido no poder, Comandante em Chefe das FAA (Forças Armadas Angolanas) e chefe de Estado", afirmou hoje Olívio Nkilumbu, quando questionado pelos jornalistas.

 

Para o politólogo e professor angolano, as referidas figuras numa só "cria realmente esta animosidade e ninguém sabe se ali o Presidente da República estava naturalmente como chefe de Estado, porque estava em Conselho da República, e tinha de falar como chefe de Estado".

 

"Portanto, quando pessoaliza já não fala como chefe de Estado, quando, por exemplo, os governadores o chamam de "camarada Presidente" numa saída do Presidente da República, como chefe de Estado, e não como chefe do seu partido cria isso", sublinhou o politólogo.

 

O Presidente angolano, João Lourenço, afirmou, na passada segunda-feira, esperar que Isaías Samakuva, que voltou à presidência da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido na oposição angolana, depois do afastamento de Adalberto da Costa Júnior, tenha "vindo para ficar", na cerimónia em que foi reempossado como conselheiro da República.

 

Isaías Samakuva regressou à liderança da UNITA até à eleição de um novo presidente para o maior partido da oposição angolana, na sequência do acórdão do Tribunal Constitucional que ditou a anulação do XIII Congresso do partido do "Galo Negro" e consequentemente a destituição de Adalberto da Costa Júnior, que tinha vencido no congresso a corrida à presidência do partido.

 

João Lourenço, que deu posse a Isaías Samakuva como conselheiro da República na cerimónia que antecedeu a reunião deste órgão consultivo do Presidente angolano, destacou as qualidades do dirigente partidário que esteve à frente da UNITA durante 16 anos.

 

"Quis o destino que a pátria o chamasse pela segunda vez para desempenhar o mesmo papel, facto que não é comum, por essa razão gostaria de aproveitar esta oportunidade para felicitá-lo", disse João Lourenço a Isaías Samakuva, destacando as "suas qualidades".

 

"Foi durante algum tempo já nosso colega no Conselho da República porquanto sabemos o que esperamos de si. Enquanto mais uma vez conselheiro do Presidente da República, espero que desta vez venha para ficar", acrescentou.

 

Hoje, questionado sobre as declarações de João Lourenço durante uma conferência de imprensa, onde membros da sociedade civil solicitaram a presença de observadores eleitorais internacionais com "boa reputação", Nkilumbu considerou que o Presidente angolano demonstrou ter "preferência de adversários políticos".

 

"E acho que foi uma posição desadequada e que demonstra que o Presidente da República tem preferências em termos de adversários políticos e o ambiente político não cria preferências", argumentou.

 

O ambiente político "cria concorrentes e cada um dos concorrentes tem de estar à altura do ambiente, não pode um competidor escolher o seu adversário, o sorteio é que dita em que posição estará e acho que isso foi muito negativo para o ambiente político".

 

"E, sobretudo, para um chefe de Estado que deve naquele momento emanar o sentido de Estado e não orientar política e partidariamente e, portanto, foi muito desajustado", rematou o politólogo angolano.

 



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