Luanda - O rei das Lundas defende a criação de um museu para preservação da memória histórica e cultural dos povos Tchokwe e que iria acolher algumas peças, atualmente desaparecidas, património que deseja recuperar.

Fonte: Lusa

"Já apresentámos o projeto ao governo provincial, mas ainda não temos resposta", disse à Lusa Muatchissengue Wa Tembo, lamentando que a capital histórica e cultural deste povo, Itengo, na Lunda Sul, a 50 quilometros da capital Saurirmo, esteja ao abandono.

 

Uma situação que atribui a ex-governantes que estiveram a gerir as provincias (Lunda Norte e Lunda Sul) e criaram "outras figuras" que usurparam o poder da autoridade tradicional

 

"A nossa identidade cultural vai desaparecendo, vai desaparecendo o respeito pela cultura e pelo Muatchissengue", o seu título real, lamentou, sublinhando a importância de criar um museu para "arquivar a história cultural" Tchokwe, em particular no que diz respeito ao reino, e que seria complementar ao museu já existente, no Dundo (capital da Lunda Norte), fundado ainda na época colonial e que reúne vários artefactos e peças etnográficas ligadas a este povo.

 

Muatchissengue lamentou também o desaparecimento de várias peças e esculturas tchokwe, cujo paradeiro é desconhecido, pedindo mais proteção para estas obras.

 

Manifestou igualmente a intenção de obter apoios para investigar o destino das peças e equacionar uma forma de as resgatar: "temos informação que muitas delas se encontram em Portugal, mas o povo não tem como localizar essas peças e negociar para que voltem", disse.

 

Durante o período do conflito armado foram também roubadas peças do museu do Dundo, nunca recuperadas.

 

O soberano falou também sobre a necessidade de dar formação e criar uma escola onde possam ser transmitidos os saberes Tchokwe.

 

"Queremos dar também formação aos escultores e outros fazedores de cultura para que não se percam as artes. Para isso, precisamos de apoio, de investigação, precisamos de encontrar os que ainda existem e criar uma escola para artesãos Tchokwe. Mais cedo ou mais tarde vamos perder essas pessoas e se não as encontrarmos agora, para ensinarem o seu saber e dar continuidade então já não teremos os fazedores de artes, só coisas improvisadas", concluiu.

 



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