Lisboa – A não repristinação do deputado Manuel Armando da Costa Ekuikui “Nelito” ao cargo de Secretario provincial do partido em Luanda, nas movimentações anunciadas pelo Presidente da UNITA, Isaías Samakuva, nesta segunda-feira (1), é associada a uma sanção interna contra o mesmo, em vias de ser apresentada a Comissão Política do partido, para as devidas apreciações.

Fonte: Club-k.net

Suspeito de usar  “revus” para pressionar data de congresso

De acordo com apurações, o entendimento que a direção do partido faz é que Ekuikui “Nelito” na sua qualidade de até então responsável do partido em Luanda, terá sido o “culpado” pela mobilização de um grupo de ativistas vulgos “Revus” que no dia 27 de Outubro, se concentraram na parte exterior do Sovismo, em Viana pressionando uma data para a realização do XIII congresso. A concentração dos “revus” terá causado perturbação que de seguida foram aproveitadas pelo regime para infiltrar com elementos para atiçar confusão.

 

No dia da reunião do dia 27 de Outubro, Isaías Samakuva manifestou intranquilidade tendo condicionado o arranque da atividade com a retirada do grupo de “revus” que haviam se concentrado na parte exterior das instalações do Sovismo. Por três ocasiões foram enviadas delegações para convidar os “revus” a retiraram-se do local. A primeira constituída pelas Adriano Sapinala/Nelito Ekuike, a segunda por Nelito Ekuike/Liberty Chiaca, e uma terceira por Kamalata Numa, que conseguiu desmobilizar os jovens.

 

O entendimento que faz Isaías Samakuva é de que os jovens terão ai se deslocado dentro de uma agenda do interesse de Nelito “Ekuike” para exercer pressão sobre a data do congresso, o que em si, configura um acto passível de penalização a luz dos estatutos da UNITA.

 

Quando em 2019, Isaías Samakuva cessou funções partidárias por conta do XIII congresso, a província de Luanda, estava repartida em “regiões eleitorais” e Nelito Ekuike era um dos secretários no município do Bela. O deputado José Eduardo, que já fora secretario no Sambizanga havia passado a coordenador das regiões eleitorais na capital do país.

 

Por força do acórdão 700/2021, que orienta a UNITA a retomar as estruturas anterior ao congresso ilegalizado de 2019, Isaías Samakuva “validou” algumas nomeações feitas por Adalberto Costa Júnior, não “exonerou” Nelito “Ekuike” porque também nunca o nomeou para secretario provincial de Luanda, cargo que não existiu quando cessou funções.

 

Samakuva repristinou o deputado Zé Eduardo de “coordenador de Luanda”, a Secretario provincial. A convicção generalizada é de que a medida serviu para penalizar “Nelito” Ekuike devido ao alegada acção dos “revus” que perturbou a reunião do dia 27 de Outubro, acrescido a depoimentos na comunicação social (radio essencial) que reduziam Isaías Samakuva a um “gestor de transição ou gestão”.

 

Nelito Ekuike deverá regressar a sua posição de secretario provincial depois da realização do XIII congresso previsto para 4 de Dezembro.

 

Tendo em conta que o “afastamento” de Nelito Ekuikui está a ser celebrado pela rede do general José Tavares responsável pelo “desk” do regime em desgastar a UNITA, o assunto está produzir comentários – nas redes sociais - insinuando ocorrência de algum alinhamento interno a volta da estratégia do MPLA, em enfraquecer o maior partido da oposição.

 

Fontes independentes em Luanda, argumentam que a pressão que a rede do general José Tavares Ferreira andou a fazer para o afastamento de Nelito Ekuike do secretariado provincial de Luanda da UNITA, obedece a cálculos destinados a alterar ou retardar as conferencias distritais na capital do país, para selecção dos delegados ao congresso. As conferencias distritais da UNITA na capital do país, deveriam arrancar na quarta-feira (3). Com a saída de Nelito Ekuikui, o processo atrasa comprometendo a agenda do congresso previsto para Dezembro.

 

O regime angolano é contra a realização de um congresso, tendo o Presidente da República, manifestado desejo de que Isaías Samakuva “fique”, apesar deste manifestar repetidamente retirada da política ativa. No último domingo (31), durante um programa de analise semanal na TV Zimbo, o advogado David Mendes levantou reservas sobre a capacidade de a UNITA conseguir realizar o seu congresso em dezembro conforme agendado. Neste mesmo programa de espaço de analise da TV Zimbo,um outro comentarista acusou a “UNITA de Adalberto Jr” de arruaceira tratando-a por “UNITA de Savimbi”.

 

Apesar de 94% dos membros da comissão politica terem contado pela realização do congresso para Dezembro próximo, são identificadas abertamente na UNITA a existência de duas correntes. Uma que defende a realização do conclave Dezembro, em paralelo ao congresso do MPLA, para não dar espaço ao Tribunal Constitucional de atrasar propositadamente com a anotação do mesmo e a subsequente publicação em Diário da República. A segunda corrente defende realização do congresso para março de 2022, o que no ver da corrente, este atraso faz com que a UNITA fique paralisada durante cinco meses e ao mesmo tempo encorajaria com que o regime por via do Tribunal Constitucional, não legasse o congresso antes das eleições de 2022. Neste sentido, o cabeça de lista as próximas eleições gerais seria o Presidente restituído do congresso de 2015.

 

 

 



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