Luanda - Não sei se terei disponibilidade para responder a todas, desde logo porque iniciou o ano acadêmico, as tarefas no sector urgem, talvez nem para todas valha pena ‹‹gastar›› tinta e não me quero transformar num colunista regular de semanário… por enquanto. Mas não me posso pautar pela omissão por ser daquelas situações em que ‹‹calar›› pode ser entendido como ‹‹consentir›› no sentido em que o artigo e seu autor insinuam.


Fonte: Semanario Angolense

"Extrair meias verdades sobre a vida dos outros

ou infundir a inveja e discórdia"

De facto, publicou a edição de 6 de Março do semanário que dirige um artigo sob o simpático título ‹‹Deputados com as mãos na massa›› através do qual se destaca que ‹‹Rafael Marques prova em investigação como se desvirtuam os representantes do povo››.


No que ao signatário diz respeito, conformo o que se publica quanto à posse de acções na empresa de seguros ‹‹A Mundial Seguros, SA›› de que sou também o Presidente da Mesa da Assembléia Geral, agora demissionário, para conformação com as incompatibilidades que estabelece o nº 2 do artigo 138º da Constituição. Pela mesma razão, o signatário está a entregar cartas para cessar a incompatibilidade com outros dois cargos sociais e para suspender o exercício da advocacia.


Também conformo a posse de participação societária na emergente sociedade ‹‹FIVE TO-WERS››, (uma iniciativa empresarial que ainda não produziu resultados), aí sim como ‹‹sócio qualificado››.


Mas o que refere o ‹‹inspector›› Rafael não é descoberta alguma. Está tudo publicado na IIIª Série do Diário da República.Aliás, qualquer detective estagiário teria feito melhor e talvez tivesse ‹‹descoberto›› mais, com simples consulta ao Diário da República, do que o ‹‹inspector›› Rafael.


Tem Rafael, em alternativa, recorrido ao signatário e:

- ter-lhe-ia sido informado que não fazemos do tema, tabu, mas que são-nos caros a honra e o bom nome e que a participação accionista na ‹‹Mundial Seguros, SA›› que diz ‹‹qualificada›› não ultrapassa os 5% e que se dispusesse de mais recursos para pagar e se houvesse disponibilidade não hesitaria em aumentar a participação. É um investimento a prazo.


- Ter-lhe-ia sido informado que, embora não tenha sido esse o fundamento, não é ilícito participar de sociedade comercial de que façam parte sócios ou accionistas institucionais. Aliás, recomendar-lhe-ia que não hesite em adquirir participações sociais se alguma empresa pública – como já foi anunciado no passado – colocar acções à venda na futura bolsa de valores (BVDA), como acontece nas melhores democracias e economias de mercado.


- Sobre, isso ter-lhe-ia sido recomendado que estudasse a experiência da Malásia que inspirou o ‹‹Black Economic Empowerment››, uma iniciativa de acção afirmativa e descriminação positiva a favor de grupos sociais desfavorecidos ou vulneráveis, da África do Sul pós Apartheid; - Ter-lhe-ia sido dito que o signatário não é vidente nem prestidigitador e que ao constituir a ‹‹FIVE TOWERS›› não podia adivinhar que um dos parceiros sociais, cujo nome preferiu omitir, seria designado no futuro para o cargo de vice-governador. Ter-lhe-ia também sido assegurado que não foi feita qualquer ‹‹cunha›› para que aquele cidadão fosse designado para tal cargo.


- Ter-lhe-ia sido dito que em finais dos anos 80 e princípio dos anos 90 o signatário passou por sérias dificuldades materiais porque não se preparara, como muitos outros, para enfrentar as ‹‹agruras›› da emergente e ‹‹impiedosa›› economia de mercado e para as despesas decorrentes da educação dos ‹‹rebentos›› (apenas filhas! Viva o Março-mulher!) que já não eram cobertas pelo Estado – providência, anterior a 1991/1992;E que foi ao ler o livro ‹‹Pai Rico, Pai Pobre›› (O que os ricos ensinam os seus filhos e os pobres e a classe média, não) que o signatário depois de diligências institucionais e do arrendamento da própria casa (passando a viver com a família em condições de menor dignidade), entendeu que não se deve ter uma postura passiva na vida, que cada um de nós pode fazer alguma coisa para si, para a sua família, para o Partido (o do coração) e para o país (e não apenas o inverso) e sobretudo, preparar-se para continuar a viver com dignidade mesmo depois de deixar de trabalhar ou de passar à reforma; Dignidade que terá faltado aos últimos dias de alguns dos nossos progenitores que dedicaram toda a vida ao trabalho mas que não foram ensinados (ainda hoje o sistema de educação não ensina) ou não puderam preparar o seu retiro.


Esperamos que a anunciada introdução de uma disciplina que ensine o ‹‹empreendedorismo›› possa ajudar a alterar a situação; E que a solução não passa por ficar inactivos, de mão estendida ou por falar mal do Presidente da República, do MPLA ou (na altura) do Governo, a quem depositamos muitas vezes a última esperança ou imputamos o dever exclusivo de resolverem os nossos problemas.


Por isso mesmo, valorizamos também os ensinamentos dos mais velhos que destacam a importância da formação acadêmica como a melhor das heranças para os filhos e para a juventude (e não só!); E aprendemos – e começamos a aplicar na prática com algum sacrifício e débitos ainda por honrar, mas também algum relativo sucesso – as lições do ‹‹Pai rico›› sobre as vantagens do investimento em ‹‹activos›› (em termos simples tudo o que nos põe dinheiro no bolso, contrariamente aos ‹‹passivos›› – tudo o que nos tira dinheiro do bolso e não seja investimento) tais como os imóveis e participações sociais; e nessa altura decidimos que não esconderíamos as nossas iniciativas empresariais sob o nome de terceiros, daí que basta lhe fazer uma pequena leitura ao Diário da República;

 

"Poucos se podem dar ao luxo de poder viver

e sobreviver de investigações … tal qual Rafael!

- Ter-lhe-ia sido dito que essa é matéria que o signatário incluirá com detalhe e transparência na ‹‹Declaração de Interesse›› que a recém aprovada lei da probidade pública ou administrativa impõe aos titulares de cargos públicos;


- Ter-lhe-ia sido dito que a acção política do signatário nunca esteve nem estará condicionada por factores de ordem material, como insinua o ‹‹marquês›› Rafael, de quem se acredita possa ter, pelo menos, alguma independência intelectual e de raciocínio e capacidade de julgamento, não coincidente com a origem especulativa de algumas fontes de financiamento da sua ‹‹activi-dade›› (pelo menos num passado não distante);


- Ter-lhe-ia sido dito que o signatário tem o maior respeito pelos cidadãos que Rafael (e mais quem?) procura atingir e assim também o País; cidadãos esses que pelo empenho, dedicação, sacrifício e até sangue derramado desinteressadamente, nos momentos mais difíceis, para que até mesmo Rafaeis como o ‹‹inspector›› possam hoje exercer o seu ‹‹jogo›› em democracia, têm também o direito ao seu ‹‹pedaço de pão››, sejam Deputados ou não;


- Ter-lhe-ia sido dito que estamos plenamente de acordo com os ideais de transparência e de boa gestão dos bens públicos e, sobretudo, com o trabalho honesto e dedicado para o desenvolvimento de Angola e o bem - estar dos angolanos e que quantos mais angolanos beneficiarem do potencial do país e produzirem e distribuírem riqueza e emprego, mais estável, rico e desenvolvido será o país no seu conjunto, mas que não precisamos colocar-nos no papel de algum fundamentalista ‹‹Dom Quixote››, que se reclama depositário exclusivo das boas condutas;


- Ter-lhe-ia sido dito que faça também alguma coisa para si e para sua família e mostre que é útil à sociedade e que é capaz de fazer algo bem mais útil ao país (nem que seja como ‹‹lotador››.


Olha que chega a ganhar cerca de 4.000 dólares por mês!(); melhor do que extrair meias verdades sobre a vida dos outros ou infundir a inveja e discórdia entre os cidadãos ou contra os dirigentes políticos, a hierarquia militar ou empresariado emergente, em vez de estimular o cultivo do empreendedorismo e da iniciativa; Pois, embora não saiba quem lhe paga os trabalhos (se ainda alguma fonte de especulação financeira), o Marques não será ‹‹Sherlock›› a vida inteira.


E ou nos prepararmos para o futuro ou poder-se-á acabar, com o maior respeito embora, num lar de idosos se os sogros não vierem em auxilio…
É que muito poucos se podem dar ao luxo de poder viver e sobreviver toda vida apenas com as receitas de ‹‹desinteressadas e inocentes›› investigações… tal qual Rafael!


- Ter-lhe-ia sido, enfim, dito que no que estiver ao nosso alcance trabalharemos para que a situação atrás citada dos anos 80 e 90, não se repita e que, na senda do projecto do Executivo Angolano, o maior número de angolanos sejam resgatados da pobreza para a dignidade.


- E mesmo para terminar, ter-lhe-ia colocado à disposição uma participação ‹‹qualificada››, de 5%, a título gratuito, na empresa a que se refere o 6º parágrafo, oferta que se mantém valida se no prazo de 30 dias a reclamar por escrito e desde que entenda que com o gesto não se pretende corromper ninguém!


Atenciosamente,
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BORNITO DE SOUSA


-- Nota: Consulte --
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