Luanda - O secretário-geral do Partido de Renovação Social (PRS), Rui Malopa Miguel, disse que a sua formação política celebra os 31 anos de existência, com as mesmas preocupações que inspiraram a sua criação, em 1990, por ocasião da abertura do sistema do multipartidarismo em Angola.

Fonte: Club-K.net

O político que discursava no passado domingo, 21, diante de centenas de militantes na vila mineira de Cafunfo, município do Cuango, província da Lunda-Norte, em representação do líder do PRS, Benedito Daniel, no acto central do 31º aniversário, afirmou que, apesar de transformações nos mais variados domínios, “a situação socioeconómica do país vai de mal a pior”.

Segundo Rui Malopa Miguel, o sofrimento dos angolanos continua tal como há 31 anos, com o povo a continuar a viver na miséria extrema. “O desemprego está cada vez mais acentuado, 46 anos depois da independência, a função pública não consegue dar respostas ao fenómeno”.

Malopa entende que uma das formas para o fomento do emprego “é aumentar o número de postos de trabalho por via da diversificação da economia nacional com incentivo ao investimento privado nacional e estrangeiro”, mas isso, disse o secretário-geral do PRS, “ainda é uma política no papel, ou seja, é apenas uma miragem”.

Descreveu que “a juventude para sua sobrevivência e das suas famílias, recorre ao empreendedorismo nos vários sectores infelizmente, tal como aqui em Cafunfo como no resto do país, as zungueiras e os mototaxistas enfrentam muitas dificuldades na realização do seu trabalho, pois encontram muitas barreiras, entre as quais alguns agentes da Polícia Nacional maltratam as zungueiras, batem nas mulheres, muitas delas grávidas, correndo risco de vida, igual tratamento acontece aos mototaxistas que algumas vezes veem suas motorizadas apreendidas pela corporação, que se despiu do seu papel de defensor da ordem e da tranquilidade públicas”, disse.

“O problema de Angola é o MPLA que está no poder há 46 anos, sem solução para o país”

No seu discurso em saudação ao 31º aniversário do PRS, Rui Malopa Miguel reiterou que a miséria pelo que passa o povo agravou-se mais com o surgimento da pandemia da Covid-19, que a sua apreciação “está a ceifar vidas humanas em todo o mundo e paralisou economias dos países arrastando as famílias para situações de vida bastante difíceis”.

“Para o nosso caso que já estávamos em crise apenas pioramos e o governo adiou para sem data a realização das eleições autárquicas que seriam uma das soluções para reduzir este sofrimento”, realçou.

Para Rui Malopa Miguel, “o problema de Angola é o MPLA que está no poder há 46 anos e a solução para minimizar o sofrimento, segundo o político na oposição, “é eleger um novo governo liderado pelo PRS, que tem o federalismo como fundamento para a boa governação e correcção dos erros criados pelo Partido-Estado há mais de quatro décadas”.

Para a possível alternância do poder nas eleições gerais de 2022, apelou aos militantes do PRS e a sociedade em geral a actualizarem o seu o registo eleitoral, “pois tal só será possível se participarmos todos nestas eleições e controlarmos bem o nosso voto”, disse.

“Vamos incentivar os nossos irmãos as nossas mamãs, os nossos primos, os nossos irmãos da igreja, ou seja, todos a actualizar o seu registo e a fazer o registo para aqueles nossos jovens que será a sua primeira vez”, incentivou, tendo aproveitado a ocasião para apelar igualmente a unidade dos militantes em torno da mesma causa do Partido de Renovação Social.

“Neste Novembro consagrado a nós trabalhemos todos, mas todos mesmo, promovendo sempre a unidade entre os companheiros pois só unidos estaremos confiantes na victória”, sublinhou.

“O actual Executivo, fora das promessas já não tem mais nada para oferecer”

Na visão do Partido de Renovação Social (PRS), os angolanos assinalaram os 46 anos de independência nacional alcançada a 11 de Novembro de 1975, “num quadro bastante triste, e infelizmente os dirigentes deste país não reconhecem haver fome no país”.

Lembrou que “no sul de Angola e em qualquer parte do território nacional, assistimos crianças, idosos e outras franjas da sociedade a deambularem pelas ruas à procura do que com ela podem matar a fome e outras acabam por morrer”.

“Temos um Governo que mata, um Governo que não houve o clamor do povo, por isso, mamãs e papás, está a chegar o ano em que todos seremos chamados a decidir se continuamos com este Governo que nos mata há quase cinquenta anos ou escolhemos o PRS, que vai permitir a eleição dos nossos Governadores e nos nossos Administradores”, assinalou.

De acordo com o secretário-geral do PRS, o actual Executivo, fora das promessas já não tem mais nada para oferecer às famílias angolanas. “Aqui no Cuango há estradas para as comunas? temos energia eclética? temos água potável? É isso que nos prometeram em 2017 estão a cumprir? Então este é o nosso momento para virarmos a página da história”, disse no seu discurso que intercalava entre o português e tchokwe.

Disse ainda que para além da fome, da falta de estradas, falta da água potável, da energia elétrica, da existência dum elevado número de crianças fora do sistema de ensino, por inexistência de salas de aulas, de professores, “temos também conhecimento que maior parte da população não tem acesso ao Bilhete de Identidade, um importante documento que permite obtenção de outros benefícios por parte dos cidadãos”.

“Não menos importante é o facto de assistirmos o processo de cadastramento do cidadão para toma da vacina da Covid-19 que está sendo cobrado um valor que varia entre 500 à 900 kz, isto é muito grave, a julgar pelo facto da vacina ser grátis e o facto da população estar desprovida de recursos financeiros e a falta do BI, podem inibir o cidadão a não tomar a vacina”, afirmou o político do PRS.

O Partido de Renovação Social foi fundado a 18 de Novembro de 1990 e teve como primeiro presidente Eduardo Kuangana, que liderou a organização por mais de 20 anos.

Actualmente tem como presidente, Benedito Daniel, que igualmente é deputado à Assembleia Nacional, onde o PRS conta com dois deputados saídos das Eleições Gerais de 2017.



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: