Luanda – O recente afastamento de Júlio Marcelino Vieira Bessa, do cargo de Governador da Provincial do Cuando Cubango, foi segundo fontes competentes, impulsionado por um grupo de pressão no interior do MPLA, que exigiu para aquela região um chefe do executivo local nascido naquela localidade preferencialmente de etnia Nganguela. O “grupo de pressão” alegou que há mais de 13 anos que a província do Cuando Cubango não é dirigida por um governador local.

Fonte: Club-k.net

Nganguelas exigiram nomeação de governador nativo 

A pressão, segundo apurou o Club-K, terá iniciado com o envio de uma carta dirigida ao BP do MPLA, que fora redigida por dois deputados do circulo provincial, João António Lineha Muhembo e João Fernando Mucanda. A missão foi igualmente subscrita por uma corrente do Comité Provincial do Partido na província.

 

O grupo de pressão teria se queixado que Júlio Bessa não estava a dar prioridades aos “nganguelas”, e que a titulo de exemplo havia nomeado para director provincial do gabinete de recursos humanos do governo provincial um quadro não nativo e sem ter comprovado vinculação ao MPLA.

 

O quadro cuja nomeação irritou os “nganguelas”, é Roberto David Liahuka Robilson, nascido na província do Huambo e sobrinho de um celebre oficial das extintas FALA, conhecido por “Brigadeiro (Tony) Liahuka”.

 

O demissionário governador Júlio Bessa terá apreciado competências e aptidões no referido quadro sem ter olhado para o seu local de nascimento ou a origem partidária da sua família. Roberto Liahuka que foi feito pelo “grupo de pressão” na bandeira de desprezo aos membros do MPLA e aos Nganguela, ficou conhecido localmente por ter conduzido com lisura um recente concurso publico na administração do estado admitindo 400 jovens.

 

A nível do partido MPLA, a província do Cuando Cubango é acompanhada por uma dirigente do Bureau Político, Maricel Marinho da Silva Capama, que tem a reputação de ser dado à intriga e de cultivar tal inclinação como forma de se insinuar junto da direção do partido em Luanda. Marciel Capama é apontada como tendo sido a “responsável” de tensões entre o governador cessante e o “grupo de pressão Nganguela”.

 

É-lhe atribuído a autoria de um relatório ao BP do MPLA acusando o governador provincial cessante de desvio de “milhões” de kwanzas e propondo a sua suspensão na recondução para o cargo de Primeiro Secretario Provincial do partido. As relações entre Júlio Besa e Maricel Capama terão se azedado depois desta responsável não ter visto uma das suas empresas a serem inseridas no sistema de prestação de serviços junto ao governo do Cuando Cubango.


No passado dia 8 de Novembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) fez sair uma nota desmentido que ter instaurado procedimento criminal contra o então governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, por alegados actos de peculato.


“Por não corresponder à verdade, a pedido do interessado e por solicitação de alguns órgãos de comunicação social, somos a informar que, até a presente data, a Procuradoria-Geral da República não instaurou qualquer investigação contra o cidadão” lê-se no documento de desmentido as acusações de Maricel Capama.


Na sequencia de um mal que havia se instalado na província, Luanda despachou, no passado mês de Outubro, para o Cuando Cubando, o Secretario Geral do MPLA, Paulo Pombolo, para trabalhos de constatação e avaliação, no âmbito do processo orgânico do VIII Congresso do MPLA, tendo permitido interagir com os membros do comité local sobre a preparação da conferência local, que decorreram de 5 a 6 de Novembro.


No dia 4 de Novembro, dias antes da data que estava marcada a conferencia provincial, a imprensa angolana dava conta que o Bureau Político do MPLA suspendia a candidatura única do governador Júlio Bessa.

 

O documento do BP datado de 03 de Novembro do ano em curso, orientava aquela estrutura do MPLA a suspender todas actividades preparatórias que visavam a realização da 13ª Conferência Provincial Ordinária do partido dos ‘camaradas’, agendadas para os dias 06 e 07 de Novembro, incluindo todas as movimentações e campanhas políticas em torno da candidatura ao cargo de primeiro secretário provincial do partido no poder.


Afastado que estava Júlio Bessa, o grupo de pressão da província avançou com um candidato “Ngangela”, José Martins, 43 anos, que no passado dia 20 de novembro foi eleito primeiro secretario provincial do MPLA. Nesta terça-feira (23), o Presidente da República, João Lourenço, nomeou-o para o cargo de governador da província do Cuando Cubango.


Até a data da sua nomeação, José Martins era o administrador municipal do Cuito Cuanavale (sua terra natal), cargo que ocupava desde maio de 2020.

 

 



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