Luanda - A Argentina vai enviar para Angola 350 mil doses da vacina AstraZeneca, produzidas localmente, como "reciprocidade e solidariedade" no contexto da nova variante Ómicron e uma semana depois de doar 450 mil doses a Moçambique, anunciou hoje o Governo.

Fonte: Lusa

"A República Argentina continua com o envio de vacinas como doação sob a estratégia de reciprocidade internacional e de solidariedade orientada ao acesso equitativo de vacinas para reduzir os efeitos da pandemia por covid-19 no contexto da nova variante Ómicron", anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, numa nota.

As doses partem do aeroporto internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, na madrugada desta terça-feira. Também serão beneficiados com 42 mil doses quatro países da Organização dos Estados das Caraíbas Orientais (Santa Lucia, Dominica, Granada e São Vicente e Granadinas).

As doações argentinas incluem assessoria logística e assistência técnica com conservação e aplicação.

Há uma semana, a Argentina enviou para Moçambique 450 mil doses, também da AstraZeneca.

Através da troca de experiências de gestão com outros países num contexto de cooperação internacional, o Governo argentino ofereceu doses a vários países em situações de necessidade. Entre outros, Moçambique e Angola aceitaram a ajuda. Os próximos beneficiados serão o Quénia e Barbados.

Recentemente recetora de doses de outros países, a Argentina inverteu a rota de doações, passando a emitir ajuda internacional. Até setembro, a Argentina recebeu 7,063 milhões de doses em doações, sendo metade dos Estados Unidos e o restante entre México, Canadá e Espanha.

"Essas doações permitiram acelerar a aplicação de vacinas. Assim com a Argentina foi recetiva a doações, agora o `stock` de vacinas e o nível de vacinação locais tornam possível que a Argentina se incorpore a esse sistema solidário para doar vacinas", indicou o chefe da diplomacia argentino, Santiago Cafiero, sublinhando que "dessa pandemia, nenhum país se salva sozinho".

A Argentina integra um sistema mundial de reciprocidade para doação de vacinas para reduzir os efeitos da pandemia.

"Enquanto o Ministério da Saúde controla a quantidade de vacinas e define as doações, a Chancelaria [ministério] faz contacto com os países em situação difícil na cobertura de vacinação", explicou Cafiero.

Apesar das críticas internas contra a doação de vacinas quando a Argentina ainda não acabou de vacinar a sua própria população, o Governo garante que "a Argentina tem `stock` suficiente para completar a vacinação e para ainda dar uma terceira dose a toda a população".

Com 45 milhões de habitantes, atualmente 80,5% dos argentinos estão vacinados com uma dose e 64,9% com o esquema completo.

A covid-19 provocou pelo menos 5.197.718 mortos mortes em todo o mundo, entre mais de 260,81 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

Uma nova variante, a Ómicron, foi recentemente detetada na África do Sul e, segundo a Organização Mundial da Saúde, o "elevado número de mutações" pode implicar uma maior infecciosidade.

 



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