Luanda - “A cultura é determinada pelos povos, através da aceitação e da habituação de determinadas práticas”.

Fonte: Club-k.net

A COVID gerou muitas dificuldades económicas. Por isso, as famílias, para fazerem face às despesas de bens de consumo têm feito contribuições financeiras, nos estabelecimentos comerciais.

 

Entretanto, em forma de contribuição para as os gastos em festas, as pessoas de mãos abertas levam comida ou bebida para serem consumidas pelos participantes do evento ou levam coisas para serem usadas, tais como cadeiras, mesas, tendas e luzes, carvão e artigos de higiene. Cada um com as suas possibilidades. O importante é contribuir - de mãos a abanar, não! É do mesmo modo que se contribui nos eventos fúnebres - óbitos e missas de sétimo dia. É um dos aspectos da cultura angolana, independentemente de outros povos considerarem festa ou enaltecimento dos mortos💀. Só as pessoas generosas e solidárias têm participado tem dado as suas respectivas contribuições, através da entrega de quantia monetária (de forma discreta) ou através da entrega de bens consumíveis ou utilizáveis.

 

Para nós, angolanos, as as coisas entregues são como se fossem uma espécie de “kixikila”, pois quem dá, hoje, espera receber, amanhã. Tarde ou cedo as pessoas de mãos abertas festejarão o seu dia de anos ou terão a infelicidade de perder um dos seus familiares. Ou elas mesmas poderão perecer, visto que a morte, embora seja evitável, é um facto certo. Quem vive, tarde ou cedo, vai morrer, com certeza.

 

É importante que as pessoas não sejam avarentas. Não é bom ser “agarrado”, “boxeiro”, “crocotó” ou “mão de vaca”.*

 

Caro leitor/a, você é “mão de vaca”?! É “agarrado”?!

2. VERGONHA DA CULTURA
Oxalá as partilhas, a generosidade e a solidariedade mencionadas acima façam definitivamente parte da nossa cultura. Devemos ter algo de positivo que nos caracterize como um povo. Tínhamos o hábito de bater palmas, quando os nosso aviões da TAAG aterrassem em qualquer aeroporto. Contudo, os angolanos deixaram de o fazer, quando passaram a viajar com um grande número europeus, em particular, os portugueses. Uns ficavam com vergonha e outraos, com “vergonha”. Até as pessoas com baixa formação académica passaram a dizer “Isso é ‘envregonhoso’!”. Lamentavelmente, os angolanos, por complexos, deixaram de aplaudir para manifestar a satisfação de terem aterrados sãos e salvos, para demonstrarem à tripulação e , gratidão sobretudo, a Deus.

 

Independentemente, da cor cutânea, da escolaridade, posição social ou política de quem estiver à minha volta, eu, José Carlos de Almeida, continuarei a bater palmas 👋🏾 suaves e a demonstrar moderadamente a minha alegria, mas sem gritos e assobios. Apenas com palmas. cinco suaves salvas de palma. Aplaudindo, jamais perderei a postura de uma pessoa elegante e bem educada. Do mesmo modo que os europeu e americanos (por imitação) batem palmas, perante um cortejo fúnebre, não perdem a postura de pessoas educadas.

 

A cultura é determinada pelos povos, através da aceitação e da habituação de determinadas práticas. Um povo tem de ter traços específicos que o identificam, enquanto grupo social.

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* “Kixikila” é um valor pecuniário, que duas ou pessoas acordam para mensalmente estar à disposição de uma delas, de forma rotativa. A “kixikila permite que as partes obtenham um valor considerável que lhes possibilita comprar um móvel ou electrónico, por exemplo, que com o seu rendimento mensal não seriam capazes de o fazer. “Kixikila” é uma engenharia financeira usada pelos angolanos, com baixos rendimentos. É crédito mensal de uma ou grupo de pessoas um beneficiário. Por conseguinte, ela gera dívidas.

 

** “Agarrado”, “boxeiro” e “crocotó” são palavras e “mão de vaca”são palavras de origem portuguesa e angolana e expressão de etimologia brasileira, que, em português comum, significam “avarento”. O substantivo da sua família é “avareza”.
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