Luanda - Um militante da UNITA morreu, em Benguela, e vários ativistas foram detidos em Cabinda, num fim de semana marcado por várias manifestações em Angola.

Fonte: Lusa

A morte do militante da União Nacional para a Independência Total (UNITA) de Angola, maior partido da independência angolana, aconteceu no sábado, quando o homem de 41 anos foi atingido por uma granada de gás lacrimogéneo da polícia.


O Secretário Provincial da UNITA em Benguela, Adriano Sapiñala, partilhou na sua página do Facebook que o militante Eugénio Pessela, de 41 anos, foi atingido no peito com uma granada de gás lacrimogéneo neste sábado, na marcha de saudação ao XIII Congresso Ordinário do "Galo Negro", tendo sido assistido, mas não resistiu ao ferimento.


O politico angolano lamentou a morte do militante do seu partido e a atuação da Polícia Nacional, que surgiu com "aparato desnecessário" e "como se para uma ação de combate a criminosos altamente perigosos se tratasse".


"Até quando a Polícia vai continuar a encarar outros partidos como seus concorrentes?", questionou igualmente o deputado da Assembleia Nacional.


Em Cabinda, segundo o ativista Makosu Sita, a polícia travou uma marcha pacífica alusiva ao dia 10 de dezembro, dia mundial dos Direitos Humanos.

 

"As intimidações começaram vários dias antes do dia marcado, uma vez que as casas dos organizadores estavam a ser vigiadas e estes foram obrigados a dormir fora das suas casas. Já no próprio dia, havia forte aparato policial em todas artérias da cidade de Cabinda, e as primeiras detenções começaram as 10:00", disse o ativista à Lusa, indicando que o número de detidos foi superior a uma centena, alguns dos quais terão sido, entretanto, libertados.

 

A intervenção da polícia em Cabinda mereceu hoje uma nota de repúdio da associação Omunga que criticou o "plano de recolha horas antes da realização da referida manifestação com o objetivo de inviabilizar a realização da mesma".


"Fala-se em cerca de 100 manifestantes detidos e tantos outros desaparecidos; alguns manifestantes foram recolhidos e deixados em zonas distantes do centro da cidade sem condições mínimas de regresso; enquanto decorria esta operação as vias de comunicação ficaram inoperantes, resta saber se foi uma mera coincidência ou não", denuncia a Omunga numa nota assinada pelo seu coordenador, João Malavindele, lembrando que o direito à manifestação está consagrado na lei.


"Assim sendo, a ação perpetrada pelas forças da ordem e segurança constitui grave violação dos direitos humanos", diz a Omunga, exortando a Procuradoria-Geral da República e o Ministério do Interior a fazerem uma investigação no sentido de identificar os envolvidos diretamente na ação que agora se denuncia, e responsabilizá-los criminal e civilmente.


Em Luanda, a polícia interveio numa tentativa de manifestação que, segundo o porta-voz do comando provincial de Luanda, foi marcada por "atos de arruaças, queima de pneus e apedrejamento das forças da ordem".


Nestor Goubel afirmou que a polícia recebeu informações sobre a presença de um grupo de aproximadamente uma centena de elementos, pertencente ao grupo "Sociedade Civil Contestatari", concentrados junto do cemitério de Santana, com cartazes, que se preparavam para realizar um protesto.


O porta-voz da polícia adiantou que foram abordados no sentido de se aferir a legalidade da presença na via pública, uma vez que os mesmos não exibiram nenhum documento, tendo sido advertidos que deveriam cumprir um determinado trajeto, ao qual desobedeceram.


"Desobedeceram ao percurso orientado pela polícia e em passo de corrida, abandonaram o cordão policial em direção ao triângulo do Caputo na avenida Hoji Ya Henda", afirmou, acrescentando que as forças da ordem tentaram acalmar os ânimos, enquanto os manifestantes pegavam em pneus, fósforos e combustível para cometer "atos de vandalismo", tendo a polícia sido obrigada a tomar medidas de dispersão.


Questionado pela Lusa, Nestor Goubel disse que não houve detenções.

 



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