Luanda - O despedimento, esta terça-feira,10, de mais de 500 trabalhadores, na sequência do encerramento do canal Zap Viva, pertencente à empresária Isabel dos Santos está a merecer o mais vivo repúdio por parte de várias sensibilidades da sociedade civil angolana e uma onda de solidariedade para com os despedidos.

Fonte: VOA

No mês de setembro de 2021 a operadora angolana de telecomunicações Zap anunciou que estava em processo gradual de despedimentos depois da suspensão do canal Zap Viva, em Abril, por ordem do governo angolano.

A empresa não terá encontrado outra saída para contrapor o processo de suspensão que não fechar as portas em definitivo depois de ter pago os salários de todos os colaboradores durante nove meses.

O jornalista Gil Benga, foi o principal rosto da ZAP Viva, pertence ao primeiro grupo de profissionais despedidos em 2021 e em conversa com a VOA, diz ter faltado “vontade política e sensibilidade humana” para a resolução do problema que opõe o grupo empresarial ao governo.

Benga rejeita, entretanto, qualquer processo de integração dos jornalistas nos órgãos públicos de comunicação social a que apelidou de “caixas de ressonância”.

Por sua vez, o sindicalista e membro da Comissão Nacional de Segurança Social, Francisco Jacinto, manifestou-se particularmente indignado com o despedimento, afirmando que com esta decisão do governo “ o país caminha para o abismo”.

“É irracional”, considera o sindicalista que questiona a estratégia do governo de combater o desemprego e a pobreza.

O líder da CASA-CE, Manuel Fernandes manifestou- se solidário para com os trabalhadores despedidos mas também não deixou de expressar o seu desapontamento com a forma como o governo tem estado a tratar o processo de nacionalização das empresas de comunicação social.

“Contràriamente, estamos a assistir as pessoas a serem colocadas no olho da rua”, disse.

Para o jornalista, Ilídio Manuel, a decisão do governo de encerrar a ZAP Viva, obedece a uma estratégia que “visa silenciar os órgãos os órgãos que podem constituir um incómodo para a estratégia eleitoral do MPLA”, partido no poder em Angola .

Informações postas a circular em Luanda admitem a possibilidade do Estado Angolano, vir a assumir a gestão da ZAP, através do Ministério da Tecnologia de Informação e Comunicação Social criando uma Comissão de Gestão, semelhante a da TV Zimbo e Palanca TV.

Isabel dos Santos utilizou a rede social Instagram para se mostrar grata a todos os colegas da ZAP e assumir que se sente de “coração partido” com este desfecho.

“Vocês são uma equipa de profissionais incríveis e inspiração para toda Angola e o mundo. Hoje vou de coração partido na esperança de que voltemos a brilhar nas telas das famílias que connosco estiveram estes longos anos assistindo dia dia os programas maravilhosos que fizeram sorrir Angola na esperança de voltar um dia”, afirmou.



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