Lisboa – O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, recuperou o oficial que em períodos eleitorais da governação de José Eduardo dos Santos, operava como principal interlocutor do regime junto a INDRA, coordenando informalmente o Centro de Escrutínio Nacional da CNE. Através do Decreto Presidencial n.º 22/22, 26 de Janeiro, Lourenço nomeou-o recentemente para o cargo de chefe do Centro de Gestão Eletrónica da Casa Militar do Presidente da República.

Fonte: Club-k.net

JL chama para si o informático  que controlava  centro de escrutínios eleitorais

Trata-se do tenente-general Rogério Rodrigues Saraiva Ferreira, antigo oficial da Casa Militar da Presidência da República, especialista em ciências da computação, e muito próximo ao general “Kopelipa”. É desconhecido do grande público, porém, em meios restritos do regime é notabilizado como o arquitecto dos 81% atribuídos ao MPLA nas eleições de 2008. Na altura ostentava a patente de brigadeiro.

 

Oficial de ascendência portuguesa, o tenente-general Rogério Saraiva Ferreira participou na realização das ultimas três eleições em Angola integrando missões de trabalho a Espanha para acertos com a INDRA, a consultora especializada em fraude eleitoral.

 

Nos pleitos eleitorais passado, integrava a uma estrutura clandestina na qual fazia parte um outro colega Coronel Anacleto Garcia Neto, ambos técnicos especializados de comunicações, engenharia eléctronica e informática, colocados pelo General Kopelipa, como consultores da Comissao Nacional Eleitoral (CNE). Foram eles que dirigiram, de facto, o processo de selecção, recrutamento e formação do pessoal que trabalhou nos centros de escrutínio e também as actividades de apuramento lá desenvolvidas, conforme indica o Ofício nº 006/DOETI.CNE/10, de 14 de Junho de 2010, da própria CNE.

 

Com a saída de “Kopelipa” da Casa Militar por conta da eleição de João Lourenço, o tenente-general Rogério Ferreira foi mandado para o Estado Maior General das Forças Armadas, onde até pouco tempo exercia as funções de Chefe da Direcção de Informática.

 

No seguimento da reabilitação na sombra do general “Kopelipa”, o general Rogério Ferreira foi igualmente chamado para chefiar o “desconhecido” Centro de Gestão Eletrónica da Casa Militar do Presidente da República.

 

“Com o regresso ao palácio do general Rogério, é mais um homem da antiga equipa do Kopelipa que o Presidente João Lourenço chama para si formando a estrutura informal para os preparativos das eleições de 2022”, lembrou ao Club-K, o analista angolano  Carlos André.

 

Segundo  Carlos André, “para o regime, a eleição significa segurança do Presidente da República, dai que envolvem estas estruturas, o que vai facilitar, agora com o edifício da CNE que esta sendo construído ali mesmo colado ao palácio presidencial permitindo capturar, interceptar para manipulação dos dados do escrutínio que será parte da gestão electronica da segurança do PR”.

 

Rogério Ferreira tomou posse na manha de quinta-feira (4), num acto presidido pelo Chefe da Casa Militar general Furtado. O novo responsável junto com 8 oficiais militares juraram pela sua honra ser fiel à pátria angolana, cooperar na realização dos interesses superiores do Estado, defender os princípios fundamentais da ordem estabelecida na Constituição, respeitar e fazer respeitar as leis e realizar com zelo e dedicação as funções para as quais foram nomeados.

 

Ao assinar o Termo de Posse, Rogério Saraiva Ferreira comprometeu-se não a seguir ordens superiores lesivas ao Estado de direito, mas a combater a corrupção e o nepotismo, abstendo-se de práticas e actos que de alguma forma lesem o interesse público, sob pena de ser responsabilizados civil ou criminalmente.

 

Carlos André, lembra que o general Rogério Saraiva Ferreira, deve ser advertido a não envolver-se em actos subversivos pelas quais não jurou no acto de tomada de posse.

 

Numa queixa crime movida pela UNITA, no passado respeitante a irregularidades eleitorais em Angola, o general Rogério Saraiva Ferreira figurava numa lista de iniciados liderada por JES, nas operações levadas a cabo por uma estrutura clandestina da CNE constituída pelo general “Kopelipa”.

 

“Para concretizar as intenções do Primeiro Indiciado, a CNE agiu de modo inverso. Estabeleceu centros de escrutínio com pessoas da estrutura clandestina do Primeiro Indiciado, a todos os níveis. A direcção efectiva do Centro de Escrutínio Nacional esteve a cargo do Tenente-General Rogério José Saraiva, subordinado do General Kopelipa. A direcção formal esteve a cargo do Comissário Edeltrudes Costa, que, logo depois das eleições, foi nomeado Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República”, lê-se na queixa de então.

 

De acordo com a queixa crime “Os três elementos identificados no articulado precedente é que dirigiram os grupos técnicos que transportaram as referidas incidências para as Províncias a fim de estas serem assumidas como suas pelas respectivas Comissões Provinciais Eleitorais”.

 

“De igual modo, em 2008, o Primeiro Indiciado utilizou a mesma estrutura conceptual, tomou de assalto as estruturas da CNE, subverteu as operações de controlo da votação e também ordenou a falsificação dos resultados eleitorais, através da sabotagem do sistema de produção, transmissão e recepção dos resultados do escrutínio, estabelecido por Lei”, denunciou a UNITA, na sua queixa que nunca teve resposta por parte dos órgãos de justiça em Angola.



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