Luanda - “A necessidade de valorização das línguas nacionais ou línguas maternas obriga o Governo angolano a olhar para as consequências do colonialismo no capítulo cultural e deles se despir para que o país consiga resgatar a sua verdadeira identidade”, diz o escritor Kawanzenze Nkuma, psudónimo de Luís Francisco António, para quem as línguas bantu, antes da colonização europeia já estavam evoluídas do ponto de vista da sua norma de uso.

Fonte: VOA

O autor aborda esta e outras questões no seu livro “Os matumbos e o valor da sua matumbice”, que tem apresentação pública marcada para o próximo dia 12 de Fevereiro em Luanda.


“Esta obra surge para redefinir determinados conceitos pejorativos contra a identidade cultural dos nossos avós”, disse em entrevista à VOA.

 

Para Katwanzenze, a língua é o primeiro elemento cultural, a sua valorização passa pela sua inclusão no currículo escolar para ter igual tratamento com a língua portuguesa.

 

Não sendo esta realidade Angola, faz crer que o Governo não tem políticas culturais sinceras.

 

“O nosso primeiro elemento cultural, que são as nossas línguas vernaculares, o Governo não tem dado primazia para que elas possam concorrer com a língua colonialista, uma vez que não vimos a serem inseridas no subsistema de ensino a partir do ensino de base”, defendeu o autor para quem Angola ainda está a se subordinar à lei colonial que proibia o uso das línguas nacionais.

 

O valor das revoltas protagonizadas por indivíduos não instruídos e que culminaram com a independência de Angola em 1975 é outro assunto retratado no livro de edição do autor que destaca a sublevação contra o colonialismo para o resgate dos valores políticos, culturais e sociais do povo angolano nos três “grandes eventos da década de 1960 e que foram determinantes para a independência, a 11 de Novembro de 1975.

 

As revoltas do 4 de Fevereiro de 1961, da Baixa de Cassanje em Malanje e do 15 de Abril, segundo Katwanzenze Nkuma e toda a narrativa à volta, propõe a redefinição de alguns conceitos pejorativos contra a realidade cultural de Angola.

 

“Há uma enorme redefinição de termos e conceitos pejorativos contra nossa identidade cultural”, defendeu.

 

O valor cultural da matumbice, segundo o autor, é o conjunto de valores das pessoas que não abraçaram o sistema de valores do ocidente.

 

Para ele, os matumbos são os verdadeiros defensores do código de comunicação, de unidade e de transmissão cultural dos autóctones povos de Angola.

 

A herança da política colonialista sobre a segregação é outro aspecto abordado pelo autor que se estreia com esta obra.

 

NKatwanzenze Nkuma fala por outro lado de duas realidades sócio linguísticas em Angola ao se referir a existência de angolanos privilegiados em detrimento de outros.

 

“Nós estamos diante de duas configurações sociolinguísticas culturais das quais uma é herança do colono português e a outra é herança das identidades cultuais dois nossos ancestrais. Isto é, o angolano é aquele que abraçou a cultura portuguesa, ou seja, é o indivíduo assimilado que dentro do prisma ocidental foi feito vítima e associado ao projecto de assimilação colonialista”, concluiu Kawanzenze Nkuma.



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