Luanda - O reverendo Daniel Sebastião da Silva, que diz ser o representante legal da Igreja de Jesus Cristo sobre a Terra, vulgo Kimbanguista em Angola, considerou “infeliz” os argumentos do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), que recentemente se pronunciou a favor da “ala” liderada por Kisolekeke Kiangani Paul, tido como dissidente da igreja fundada por Simon Kimbangu.

Fonte: Club-K.net

A “crise interna” enfrentada pelos fiéis kimbanguistas e que segundo apreciações, está a ter suporte das instituições do Estado angolano por intermédio do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), órgão afecto ao Ministério da Cultura (MINULT), teve a sua gênese em 2003, um ano depois da realização da Assembleia Geral Extraordinária de 08 de Outubro de 2002, onde afirmaram que Kisolokele Kiangani Poul não é filho biológico do antigo líder Kisolokele Lukelo Charles.

 

Reagindo em conferência de imprensa na quarta-feira, 09, realizada na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, o Daniel Sebastião da Silva, disse que a Igreja Kimbanguista “só tem um único líder espiritual e representante legal e que não reconhece a existência de um adjunto deste”, por isso, disse que o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), “não tem competência para decidir os destinos e a liderança da igreja Kimbanguista em Angola”.

 

“O INAR pretende influenciar a opinião pública na condenação sumária da agremiação e dos seus legítimos representantes, criando um ambiente de hostilidade extrema que permita justificar a extinção da actividade principal da Igreja Kimbanguista em Angola”, sustentou.

 

Para ele, os netos descendentes consanguíneos do Papa Simon Kimbangu, fiéis na doutrina kimbanguista, são conselheiros directos do chefe espiritual da igreja, tendo esclarecido que ele (Reverendo Daniel da Silva) é o representante legal e primeiro suplente, presidente, delegado do Colégio Executivo Nacional da Igreja Kimbanguista em Angola, nomeado pelo líder mundial de acordo com a decisão Nº 314/EJCSK/CS/01/12/2021, de 24 de Setembro.

 

“O nosso líder mundial foi claro em dizer que não conheço o senhor Kisolekele Poul como representante da igreja, mas sim o reverendo Daniel da Silva, nomeado por ele”, disse.

 

O Reverendo Daniel Sebastião da Silva desafiou o director-geral do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR) a mostrar provas documentais que conferem a Kissolokele Kiangani Paul a legitimidade para falar em nome da Igreja Kimbanguista em Angola.

 

O líder espiritual aproveitou a ocasião para aconselhar o Estado angolano a não se deixar enganar por pessoas que não têm legitimidade e idoneidade moral para falar em nome dos kimbanguistas em Angola.

 

Segundo o Reverendo, não é verdade que o Kissolokele Kiangani Paul tenha sido enviado para Angola, pelo seu pai Dialungana Kiangani Salomon, em 1997, para dirigir a comunidade a pedido da direcção da Igreja Kimbanguista em Angola. “Contudo, não existe Kimbanguismo sem Nkamba”, reforçou.

 

Na conferência de imprensa, a liderança dos kimbanguistas deixou patente a manifestação de indignação e repulsa dos fiéis perante o que entende ser falsidade dos argumentos do director-geral do INAR e repudia a campanha difamatória orquestrada, para simplesmente denegrir o seu bom nome, à imagem, honra e a reputação.

 

Já, o Reverendo Joaquim Kilumbo, encarregado da informação e imprensa, reforçou que “desde a sua implantação, em Angola, a Igreja Kimbanguista foi sempre à coroa da jóia da sede mundial, em Nkamba-Nova Jerusalém, na República Democrática do Congo”, sede mundial da Igreja Kimbanguista.

 

Joaquim Kilumbo, que apresentou a mensagem do líder mundial sobre o seu posicionamento quanto à liderança máxima da igreja no país, disse que “foi com os recursos financeiros, provenientes das contribuições e doações dos fiéis angolanos e que eram enviados para a sede mundial, durante décadas, que Nkamba-Nova Jerusalém constituiu-se num património de referência religiosa no mundo”.

 

Refira-se que a Igreja Kimbanguista em Angola conta com mais de oito milhões de fiéis.

 



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