Lisboa – Pela primeira vez na historia foram avançados detalhes dos comandantes da parte do governo angolano que desencadearam os massacres pós eleitoral de 1992, em que altos dirigentes da UNITA, foram assassinados quando negociavam com as autoridades a feitura da segunda volta das eleições presidenciais daquele ano.

Fonte: Club-k.net

Durante 28 anos autoridades alegavam que foram mortos pela população

Durante muito tempo, o governo rejeitava autoria dos massacres alegando que os responsáveis da UNITA, foram mortos pela população. Passados que são 28 anos, o jornalista Artur Queirós, na altura esteve do lado do governo, revela num ensaio que os homens que na altura trajavam a civil e trazendo um laço vermelho na cabeça para “evitar infiltração” no seu seio, não eram populares, mais sim militares comandados pelo antigo chefe da Inteligência, general António José Maria.

 

Na versão de Queiroz que se encontravam na tarde daquele dia nos estúdios da RNA, a UNITA pretendia dar um suposto golpe de Estado revelando que um outro jornalista Carlos Garcia o informou que “o general Zé Maria tinha organizado unidades de contra ataque, no antigo quartel da tropa portuguesa, Depósito de Adidos. Pedi ao oficial que me levasse lá. O trajecto era curto mas fomos alvejados várias vezes. O general Zé Maria fez-nos o ponto da situação.”

 

“Uma das suas unidades foi enviada para São Paulo onde militares da UNITA, baseados na delegação do partido, varriam todo o casario com tiroteio nutrido”, escreveu o veterano jornalista adiantando que “Os homens do general Zé Maria, todos jovens e com uma fita na cabeça para se distinguirem de eventuais infiltrados, neutralizaram os golpistas e tomaram as instalações. Carlos Garcia e eu saímos dali e continuámos pela cidade na viatura à prova de bala. Muitos mortos estendidos na rua”.

 

Queiroz diz que “Salupeto Pena deu ordens de retirada”, e que “O general Ben Ben recusou juntar-se aos outros dirigentes golpistas no Bairro Miramar”, revelando que estes antigos altos dirigentes da UNIAT a quem ele trata por “golpitas”, foram interceptados pelos comandantes pelos vulgos “fitinhas”, a milícia liderada pelo general José Maria.

 

“Ben Ben desceu as barrocas a pé, chegou às imediações do Porto de Luanda e desapareceu. Jeremias Chitunda, Abel Chicukuvuku, então o chefe dos esquadrões da morte da UNITA, e Salupeto Pena partiram em duas viaturas em direcção ao norte, via Caxito. Foram interceptados no Bairro Sambizanga. Os combatentes de “fitinhas” derrotaram-nos”, descreveu Artur Queirós, tornando-se na primeira figura próxima ao regime angolano a assumir publicamente que aqueles altos responsáveis da oposição não foram mortos pela população conforme versão das autoridades de então mas sim por combatentes do governo.

 

O jornalista acrescenta que “Na troca de tiros, Chitunda e Salupeto foram atingidos mortalmente. Chikuvukuku ficou ferido com gravidade e levado para o hospital Militar onde lhe salvaram a vida ao fim de um longo internamento”. O mesmo responsabiliza de ameaçar reduzir Angola a pó, se fossem publicados os resultados eleitorais.

 

“Quando a população em fúria ia linchá-lo, apareceram oficiais das FAPLA que o salvaram. Hoje o assassino é um democrata da primeira e quer fazer uma esquina eleitoral com a UNITA”, escreveu relatando que “os dois dias de guerra em Luanda tiveram a cobertura do jornalista Carlos Garcia e minha. Não vi mais ninguém nas ruas. Também ninguém teve a sorte de ser transportado numa viatura blindada, conduzida por um oficial da Polícia de Intervenção Rápida. As minhas reportagens podem ser lidas na revista “Sábado”, a original, não o actual boletim ao serviço do banditismo político e mediático. Está lá tudo”.


Artur Queiroz é um escriba português que começou a viajar para Angola desde a era colonial, tendo passado algum tempo na província do Uíge. Ele regressou a sua terra no seguimento da descolonização passando a escrever textos de opinião contra as autoridades angolanas em publicações como o “Expresso”.

 

Em 1991, este em Luanda para depois regressar a Portugal. Retomou contactos com o regime angolano a partir de 2007, altura em que lóbis ligados ao general “Kopelipa”, o contrataram para se tornar director de publicações da Media Nova. Não chegou a ocupar o cargo, porque os responsáveis do Media Nova desfizeram-se dele colocando a disposição de Aldemiro Vaz da Conceição que por sua vez, o colocou no Jornal de Angola onde passou a assessorar o diretor-geral, José Ribeiro, auferindo um salário de 11.500 dólares americanos por mês.

 

Nos últimos anos, juntou-se ao general António José Maria, então chefe do Serviço de Segurança e Inteligência Militar, na qual lhe foi dada a missão de editar textos sobre o conflito militar (Batalha do Cuíto Cuanavale) enaltecendo o antigo Presidente José Eduardo dos Santos, e, por outro lado, apresentando a UNITA com adjectivos impróprios para reconciliação nacional.

 

Presentemente é assessor da Fundação António Agostinho Neto, a partir de Portugal, onde periodicamente escreve textos. Quando esta zangando rebela-se contra as autoridades com destaque a figuras que ele entendem serem adversários do seu amigo, o general José Maria. Outras vezes ataca jornalistas independentes como é o caso do veterano Reginaldo Silva. Com as eleições as portas, Artur Queiroz deixou de escrever afrontas as autoridades passando a enaltecer o governo de Angola, apresentando a UNITA, como “assassina”.



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