Luanda - A analista da consultora Control Risks que segue a economia angolana considerou hoje à Lusa que o regresso aos mercados mostra que o Governo fez o trabalho de casa e antevê que a operação seja um sucesso.

Fonte: Lusa

"Nos últimos anos, o governo fez mais do que simplesmente empenhar-se nas reformas económicas, reduzindo a despesa supérflua; sob a liderança do Presidente João Lourenço, desenvolveu e aprofundou laços com as principais instituições de crédito, o que se mostrou muito valioso na navegação do período difícil para a economia, com vários choques globais e severos, como a queda do preço do petróleo e a pandemia de Covid-19", disse Marisa Lourenço.

 

Em declarações à Lusa no seguimento da divulgação do plano de endividamento para 2022, que prevê o regresso aos mercados financeiro este trimestre, com uma emissão de pelo menos 2,8 mil milhões de dólares, cerca de 2,4 mil milhões de euros, a analista previu que a operação seja um sucesso.

 

"Quando a próxima emissão for lançada, é provável que a procura supere a oferta, o que já aconteceu em novembro de 2019, quando a emissão de 3 mil milhões de dólares excedeu as expectativas; a confiança dos investidores em Angola provavelmente aumentou desde então, sustentada na melhoria da opinião das agências de rating nos últimos cinco meses", explicou a analista.

 

Para Marisa Lourenço, Angola "ainda é de alto risco, mas para os investidores dispostos a arriscar, também oferece altos retornos".

 

O Governo de Angola prevê regressar aos mercados financeiros internacionais neste trimestre, devendo emitir até 2,8 mil milhões de dólares, de acordo com a apresentação do plano de endividamento, disponível no 'site' das Finanças.

 

De acordo com o documento, com data de 8 de fevereiro, Angola prevê captar 10,74 milhões de dólares este ano, dos quais até 2,8 mil milhões de dólares estão previstos ser angariados nos mercados internacionais através da emissão de dívida em moeda estrangeira (Eurobond).

 

Angola prepara-se, assim, para voltar a emitir dívida pela primeira vez desde 2019, e depois de ter previsto fazer uma nova emissão no final do ano passado, ainda durante a vigência do programa de assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

O segundo produtor de petróleo na África subsaariana prevê também contrair empréstimos e financiamentos internacionais de entidades comerciais, bilaterais e concessionais no valor de 2 biliões de kwanzas, equivalentes a 3,18 mil milhões de dólares.

 

A nível interno, Angola prevê endividar-se em 4,76 mil milhões de dólares, divididos em 320 milhões em dívida contratual e 4,44 mil milhões em dívida titulada.

 



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: