Luanda — Jornalistas angolanos consideram que os grandes males que impedem um melhor desempenho da imprensa no país são a auto-censura, a falta de agenda própria e o controlo do Estado sobre a maioria dos meios de comunicação social.

Fonte: VOA

“A imprensa só deverá cumprir cabalmente o seu papel, como se demanda num Estado de Direito e democrático, quando deixar de existir um departamento ministerial que dita as regras de actuação dos órgãos de comunicação social no país, o que os deixa muito dependentes e provoca em si uma auto-censura", afirma aquele profissional.


Jorge Eurico diz igualmente existir no país “ uma censura clara e permanente sobre os órgãos de imprensa públicos e privados que, em sua opinião, não os ajuda em nada a desempenhar o seu objecto social sem estar dependente do poder político”.

Por seu turno, o também jornalista e investigador, Fernando Guelengue, fala das dificuldades de acesso às fontes oficiais e da sobrevivência ou a falência dos órgãos privados como uma das causas do fraco desempenho da imprensa angolana.

Guelengue considera também que “existe uma ausência gritante de agendas próprias nos órgãos levando a que os profissionais trabalhem apenas com base na actualidade”.

 

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“Não há grandes entrevistas, grandes reportagens ou grandes temas que vão fazer parte de um dossier visando trazer revelações sociais que vão trazer melhorias na vida do cidadão e também no aprofundamento da própria democracia”, defende.

Aquele profissional acrescenta que “muitos jornalistas praticam a auto-censura, manchando o seu profissionalismo, e negam-se a fazer denúncias ou comentar assuntos problemáticos por medo do corte de regalias”.

Angola ocupa o lugar 99 no Índice Mundial da Liberdade de Imprensa 2022 divulgado pelos Repórteres Sem Fronteiras, nesta quarta-feira, 3.



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