Luanda - O jornalista e editor de programas especiais de informação da Rádio Nacional de Angola (RNA), Francisco Pedro, assumiu, categoricamente, na segunda-feira, 23, a sua preferência político-partidária pelo MPLA, chegando a afirmar que “o líder da oposição não deve ter tratamento igual ao do líder do partido-Estado” na imprensa pública.

Fonte: IstoeNoticia

“Eu tenho a minha paixão e quem está aqui conhece qual é o meu partido”

O jornalista fez estas declarações durante o seminário de esclarecimento sobre o processo eleitoral dirigido aos profissionais de comunicação social, promovido pelo Tribunal Constitucional (TC), em Luanda, e na presença da presidente da Comissão da Carteira e Ética (CCE), Luísa Rogério, e de outros vários profissionais de comunicação.

 

Francisco Pedro admitiu que “fica chocado”, quando ouve dizer que os partidos na oposição devem ter, nos órgãos públicos, o mesmo tratamento que o MPLA, e defendeu que o tratamento jamais deve ser igual ao do líder do MPLA, partido com o qual assume ter afinidades.

 

“Eu tenho a minha paixão e quem está aqui sabe disso e conhece qual é o meu partido. Não escondo. Assumo, mas fico chocado quando os líderes dos partidos na oposição pedem tratamento igual na imprensa pública. Isto não existe, nem em Angola nem em alguma parte do mundo. Mesmo em casa, pai é pai e o resto obedece”, exprimiu.

 

O também antigo director da RNA em Malanje criticou a UNITA, que, segundo a sua opinião, “fala constantemente dos media públicos, mas não tem noção que pode colocar em perigo a integridade física destes profissionais”, apresentando como exemplo o caso recente de repórteres da TV Zimbo que quase foram linchados por ‘supostos’ militantes do Galo Negro, durante uma marcha daquele partido.


Luísa Rogério convida jornalista a abandonar a profissão

Em reacção às declarações do jornalista, Luísa Rogério lamentou o pronunciamento do profissional, defendendo que “todos partidos políticos devem ter o mesmo tratamento na imprensa aos olhos da lei”.

 

Luísa Rogério convidou Francisco Pedro a abandonar a profissão, caso não esteja em condições de adoptar uma postura ética e deontológica como determina o Estatuto do Jornalista e o Código Deontológico.

 

“Discordo completamente de si, caro jornalista. A RNA é um órgão público e deve cumprir o que está estipulado na lei”, retorquiu a responsável.

 

Luísa Rogério sublinhou que o jornalista Francisco Pedro e outros profissionais de comunicação social que não conseguem separar a filiação partidária da sua profissão “devem ter a humildade de deixar de ser jornalistas”.

 

“Todos os que não tiverem a coragem ou a decência de separar as suas opções políticas da sua profissão façam outras coisas e não cubram eleições. Não podemos confundir os papéis”, reforçou a presidente do órgão fiscalizador da actividade jornalística no país.

 

Luísa Rogério considerou ainda lamentável que os órgãos de comunicação social públicos não consigam conceber estratégias de actuação e que “depois de 30 anos continuem a fazer um péssimo serviço em relação a 1992”. “Em 92 estivemos muito melhor na cobertura jornalística do que actualmente”, rematou a responsável.

 



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