Luanda - Os trabalhadores da Luminas ligados às operações não vão receber salários este mês se não retomarem o trabalho na mina de diamantes, localizada na Lunda Norte, soube este portal nesta quarta-feira, de fonte da administração da empresa.

Fonte: Club-k.net

De acordo com um responsável da direcção da Luminas, em Luanda, “os trabalhadores das operações que insistem na greve receberam os seus ordenados referentes a Maio, mas não poderão ser remunerados no mês de Junho se não voltarem ao trabalho”.

A mina está paralisada há mais de um mês, o que compromete a arrecadação de receitas que fazem falta à manobra da empresa, incluindo a melhoria das condições laborais. “Logo que a nova presidente do conselho de gerência, Zezinha Domingos Adão tomou posse, em Abril último, definiu acções visando resolver de forma responsável as inquietações ao alcance da empresa”, disse, defendendo que “a solução das inquietações passa pelo aumento da produção”.

A paralisação das operações já terá provocado prejuízos na ordem de 6 milhões de dólares, dinheiro que "faz falta à manobra da empresa”, em todos os seus domínios.

Em carta endereçada recentemente ao Presidente do Conselho de Administração da Endiama, Ganga Júnior, os mineiros queixam-se da “grave disparidade de salários”, da “falta de reforma” e da “ausência de seguro de saúde”. Queixam-se ainda, entre outros, do não pagamento de horas extras, da falta do fundo social e do subsídio de chefia, ou da falta da cesta básica na ordem de 25 mil kwanzas, do subsídio de isolamento e querem a construção de um centro de formação profissional.

A empresa afirma, no entanto, que está aberta ao diálogo numa altura em que as makas existentes são antigas e radicam da anterior gestão. “Boa parte dos problemas que os mineiros alegam certamente, podem ser resolvidos, havendo produção”. A nova gestora, prosseguiu a fonte, “é competente e já definiu uma estratégia que levará ao aumento da capacidade de duas das três lavarias de 30% para 80%”, além de outras medidas tendentes à melhoria do trabalho na mina e não só.

Mina refém da comissão sindical

A empresa avança que “na verdade, temos a mina aprisionada por uma comissão sindical que iniciou uma greve sem caderno reivindicativo a 9 de Maio” . Enquanto isso, afirmou, “esta comissão sindical não permitiu nenhum carro entrar na mina, e nem sair sem ser revistado pelos grevistas, “inclusive viaturas da polícia e da Endiama”. “Como já é hábito eles decidem que não querem o presidente do conselho de gerência e tiveram sucesso em distintas ocasiões. Querem fazer o mesmo com a engenheira Zezinha Domingos que já se revelou dinâmica e atenta às preocupações na mina”.

Ao que tudo indica, observa ainda a fonte, “o excesso de liberdade de uma população numa zona mineira que lhes dá acesso a um produto de fácil venda, os torna autoritários e auto-confiantes para a desordem”.

De resto, aponta, sem entrar em muitos detalhes que “as minas de diamantes na Lunda Norte são prósperas na realidade somente em quatro meses, mais do que em todo o ano”, assim, “manter a mina paralisada por mais de 30 dias significa a intensificação do movimento dos garimpeiros”, porque todos os caminhos ficam acessíveis ao garimpo”.

Logo, conclui, “temos que olhar para esta greve de forma crítica e saber quem de facto está por trás dos sindicalistas e quem está com o presidente da SGSILA, e a quem de facto esta organização serve”.



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