Luanda - Em Angola, os alunos das sexta e nona classes começaram a ser submetidos a avaliação através de um "exame nacional". O Ministério da Educação quer assim reestruturar o ensino no país e melhorar a aprendizagem.

Fonte: DW

Ouvidos pela DW, o sindicato dos professores e o Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) mostram-se céticos no que diz respeito ao alcance dos objetivos pretendidos pelo Ministério da Educação.


De acordo com o Ministério, participam nos exames nacionais cerca de 2.100 alunos do sistema de ensino público e privado em 37 centros espalhados pelo país.


O Ministério salienta que os exames visam somente avaliar as competências dos estudantes e que não visam reprovar ou aprovar estudantes.

 

Escolas não terão sido preparadas para as novas medidas

 

Mas, numa avaliação preliminar, o presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Francisco Teixeira, afirma que as escolas do país não foram preparadas com meios didáticos e técnicos para a realização dos exames nacionais. Por isso, não espera bons resultados:


"Infelizmente, não há condições nenhumas. Para nós, vamos ter um exame como qualquer um, mas não um exame nacional. Eu pergunto à Senhora ministra se é possível ter um exame nacional piloto quando os estudantes da 6.ª classe, que vão ser submetidos ao exame, nem sequer têm acesso a livros?"

 

Por seu turno, o representante do Sindicato dos Professores (SINPROF) na cidade do Huambo, Abel Maravilhoso José, diz que a sua organização acompanha o processo dos exames nacionais à distância, pelo facto de não ter sido envolvido no processo.


O sindicalista questiona os critérios que estiveram na base da seleção dos seus colegas que irão trabalhar como examinadores e na vigilância dos exames: "Não passaram num crivo transparente. Foram indicados nos gabinetes dos diretores. Até ao momento, não querem, não aceitam, que o SINPROF tenha acesso às listas dos professores selecionados."

Exames apenas nos centros urbanos?


O representante do sindicato dos professores no Huambo também questiona o facto de os exames serem restritos aos centros urbanos e às sedes municipais, o que, no seu entender, não vai ajudar a fornecer uma mostra mais acabada da realidade do ensino no país.


"Estamos aqui a observar que o processo foi restrito à zona urbana, à cidade do Huambo [por exemplo]. Será que estes dados poderão dizer como está realmente o processo de ensino e aprendizagem? Porque não se criou um outro centro num dos municípios recônditos, numa comuna?", questiona o sindicalista.


Para o presidente do MEA, Francisco Teixeira, não é possível medir competências entre estudantes das zonas urbanas e das áreas rurais "quando um grupo é privilegiado, tem livros, tem material e os outros não têm nada. Quando uns sentam 35 numa sala de aula e outros sentam 90 alunos".


Em relação às críticas aos exames nacionais, a ministra da Educação, Luísa Grilo, diz que tudo faz parte do processo de aprendizagem.


"Estes exames são apenas para aferir o nosso sistema nacional de avaliação. É para capacitarmos a nossa equipa, o nosso sistema logístico, para fazermos chegar estes bens a todas as províncias e podermos fazer este processo sem dificuldades."

 



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