Cabinda é uma província onde se mantém ainda activa uma guerrilha, protagonizada pela Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), liderada por N´zita Tiago, embora o Governo de Luanda desminta que o movimento mantenha uma actividade importante no território.

Raul Danda defendeu que o Governo de Luanda deve "aceitar" que na província de Cabinda "há pessoas que matam e que morrem" de um lado e do outro porque, caso contrário,"está-se a assumir que o que se passa em Cabinda nada tem a ver com o resto do país".

No entanto, sem se referir à actividade da guerrilha da FLEC, Raul Danda, um dos mais destacados membros da sociedade civil cabindense e ex-dirigente da extinta associação Mpalabanda, garantiu à Agência Lusa que não se vai calar, agora no Parlamento, sobre os "principais problemas" que "persistem" no enclave.

Raul Danda tomou posse na terça-feira como deputado durante a cerimónia que marcou o início parlamentar da segunda legislatura em Angola nos seus 33 anos de independência.

O activista cívico e agora deputado eleito pela UNITA, o único em cinco eleitos pela província, sendo os restantes quatro do MPLA, apontou que "são muitos os problemas que existem" em Cabinda, considerando que "só serão ultrapassados se o Governo de Luanda reconhecer que eles existem".

Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de autonomia, como exige uma parte da sociedade cabindense, Danda optou por sublinhar que "o mais importante é solucionar o problema de Cabinda" e "o reconhecimento dos problemas" para que se possa enveredar por "um diálogo franco, fraterno, honesto e cordial" com vista a "uma solução que agrade a uns - os cabindenses - e outros - o Governo de Luanda".

"O principal pressuposto para a não resolução do problema de Cabinda é o não reconhecimento desse problema. E não vale a pena vir dizer que estamos há seis anos em paz efectiva", salientou Raul Danda.

O deputado considerou ainda que a Assembleia Nacional é "o local próprio" para se abordar estas questões, lembrando que "outras pessoas de Cabinda" foram eleitas, e que, mesmo estando em outras formações políticas, "acham que é preciso que se encontre uma solução" para aquela parcela do território.

No entanto, perante a certeza de Danda sobre a permanência da violência em Cabinda, o presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo, Bento Bembe, já afirmou, em diversas ocasiões, que o enclave é uma província pacificada, conotando as acções de violência com a criminalidade não afecta à guerrilha.

Cabinda é um enclave de onde provém a maioria do petróleo angolano e os independentistas consideram que o território é ainda um protectorado português, como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885.

Fonte: Lusa



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