INTRODUÇÃO por Domingos Cruz

Falar e escrever sobre Angola afigura-se dubiamente triste e ao mesmo tempo espectacular. Triste, porque enquanto angolano, desejava de forma ardente e sincera com todo o meu ente, para que no pós-guerra alcançássemos um país normal nas mais variadas dimensões, que fazem uma nação. Infelizmente, este não é o caso hodierno. De acordo com muitas opiniões, pensava-se que o líder histórico da UNITA (União para a Independência Total de Angola) era a máquina da diabolicidade para a desgraça deste país, com a sua morte os angolanos identificaram quem são os verdadeiros cleptocráticos e destruidores da nação, na perspectiva material e espiritual, mergulhando o país num «oceano» de miséria e sem rumo… A espetacularidade da qual refiro-me não é de esplendor, mas sim de tipo tacanho e mesquinho com carácter «caretativo» infantilista. É mesquinho e vergonhoso ver para onde este país está a caminhar.

    O normal seria que depois dos angolanos nunca terem construído a sua própria História, nunca terem escrito a sua própria História com verdade e veracidade cientifica, porque faziam quase tudo de forma mimetista, faziam e fazem ainda hoje quase tudo de acordo com os interesses dos tubarões da geopolítica mundial e beneficiando o Príncipe e outros membros do poder político e militar, seria bom e necessário que hoje, pudéssemos mudar esta rotina humilhante, escravizante, empobrecedora e despersonalizante para um povo que até aos nossos dias parece não saber aonde quer ir por causa dos seus pseudopolíticos ventrílogos e incôncios em muitos casos.

    Num país governado por pessoas sérias, depois desta guerra civil, certamente que se devia apostar num investimento massiço na educação, saúde, estrada, agricultura, turismo, pequena e grande industrias para o combate a pobreza, etc., mas infelizmente o país ainda tem os canhões como bens prioritários! 

    A nossa obra visa dissecar com verdade cientifica aquilo que é a Angola real e não fanático – poético-distorcida dos medias propagandísticos do regime ditatorial, monárquico, déspota, predador, banditesco, errante, que é arquitectado por aqueles que se arrogam centralizar tudo e tirar qualquer homem deste mundo, que legitimamente questiona a legitimidade ética e jurídica do sistema errante, terrorífico e vampírico como diria José Samakaka.


    Eis a estrutura temática do livro, por unidade:


    A primeira parte da obra apresenta uma breve e introdutória Filosofia da História ou seja, tendo como pano de fundo, as distorções ideológicas e partidárias com que está escrita a História de Angola, denuncio e chamo atenção para que os especialistas rescrevam a História real do nosso país. Certamente que uma pergunta passaria no espírito do leitor: porque razão se deve rescrever a História de Angola? Porque um povo que não conhece o seu tempo consumido e os erros cometido neste percurso temporal está condenado a cometer as mesmas misérias da efemeridade humana, e por isso, permanece na mediocridade, dai que Angola está como está… Isto não vale somente para os países, até mesmo para a vida particular. Ainda nesta unidade apresentamos alguns factos históricos de grande relevância para o país e que encerram também uma grande controvérsia histórica e podem ser possíveis temas que devem ser aclarados mais rápido possível pela ciência do tempo — a História — para o bem da nação.

    Na segunda parte, abordamos a questão económica, com realce para o «desenvolvimento económico selvagem» que o país tem, decorrente da má distribuição da riqueza e da falta de políticas sociais sérias. Ainda nesta unidade temática, olhamos para outras questões de grande relevância como: o sistema financeiro angolano, os pilares da economia Angolana: diamante e petróleo. A alta dívida externa de Angola, as assimetrias regionais, a agricultura e o turismo, sectores de grande potencial mas abandonados pelos responsáveis das políticas públicas, e outras questões de capital importância e utilidade para esta parcela do mundo.

    A unidade número três olha para a questão da cidadania e da política activa no país, que se afigura igualmente moribunda por várias razões que o interior do livro vai espelhar. Embora todos os temas me parecem mister, gostaria destacar a questão democrática e as barreiras que ela tem para não desenvolver-se e implantar-se efectivamente em Angola. Entre vários travões da democracia angolana, está o partido-estado, as autoridades tradicionais que agora são do partido porque desempenham o papel de activistas políticos, as etnias, etc.

    Ainda na mesma unidade, destacamos outros temas como: a pessoa do Presidente da república como persona não grata, a intolerância política, com realce para a apresentação de mais de 70 vítimas perpetradas pelo MPLA, a transparência, a corrupção política, a banditização do estado angolano, a partidarização das instituições, a bajulação como estratégia de ascensão social, a praga dos partidos políticos, governantes analfabetos, as sementes do ódio e da nova guerra, etc.

    A quarta e última unidade do volume um, olha com grande profundidade para a questão dos direitos humanos e seu influxo social em Angola, ou seja, até que ponto os direitos humanos são concretizados em Angola. Analisamos grandes questões como: a educação débil e miserável em termo de qualidade em Angola, desde o ensino primário até ao subsistema de ensino superior, a ausência de um sistema de saúde funcional, água, energia, transporte, etc.

    De acordo com as misérias de diferentes dimensões que constatamos, fruto da pesquisa documental e da experiência da vida diária porque sou Angolano, angolano que é alvo deste regime diabólico e macabro, que todos os dias nega de forma prática, evidente e ao mesmo tempo implícito todos os nossos direitos, inclusive o direito a vida, ao fazer uso da sua polícia para matar à luz do dia, na calada da noite e na clandestinidade.

    Porém, esta realidade temível e terrível, para quem quer ver o seu país a progredir verdadeiramente, levou-me a levantar a questão que dá título ao livro: PARA ONDE VAI ANGOLA?

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Fonte: Club-k.net



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