Lisboa – A antiga primeira dama, Ana Paula dos Santos, foi nesta sexta-feira (24), ilibada pela justiça espanhola das suspeitas de ter contribuído pelo aceleramento da morte do falecido Presidente, José Eduardo dos Santos, por via de crime de homicídio involuntário.

Fonte: Club-k.net

DESFECHO PELO CORPO DE JES PREVISTO PARA SETEMBRO

O Juiz responsável pelo caso entendeu que pode haver indícios da pratica do crime mas é quase impossível se provar que tenha ocorrido maus tratos contra um idoso numa residência. Por não haver provas decidiu aplicar o principio “in dubio pro ré”, inocentando Ana Paula dos Santos.

 

Tchizé dos Santos, a filha do malogrado que avançou com a queixa, avançou com o recurso no mesmo dia, pelo que o Tribunal terá até próxima semana para analisar o pedido da mesma, de contrario o processo só terá desfecho em Setembro, tendo em conta que a justiça espanhola vai entrar em férias judiciais em Agosto. Um outro processo sobre a quem da família, deverão entregar o corpo de JES, decorre igualmente na câmara civil desconhecendo-se a data do desfecho.

 

Entretanto, durante a plenária desta sexta-feira, as coisas “aqueceram”, uma que Ana Paula dos Santos, por via dos seus advogados alega que Tchizé dos Santos inventou acusações contra si, para boicotar o funeral de Estado que o governo do Presidente João Lourenço está a organizar para o falecido Presidente José Eduardo do Santos. Declarou também que a motivação da filha do antigo estadista é salvar-se de alegados problemas que tem com a justiça.

 

De acordo com as acusações da antiga primeira dama, a filha de JES enganou as autoridades espanholas para reter o corpo do pai de forma a livrar-se da justiça angolana, uma nova acusação que substitui a outra em que acusava Tchizé dos Santos de padecer de transtornos mentais.

 

A defesa de Tchizé dos Santos, nega que a sua cliente tenha tido esta pretensão dando como evidencia que foi esta a filha do falecido Presidente a declarar publicamente que negava as ofertas de amnistia por parte das autoridades angolanas, nas reuniões familiares. Tchizé dos Santos, alega não ter crimes em Angola que mereçam aministia apesar de ter sido alvo uma acção partidária que resultou na sua expulsão do parlamento e do Comitê Central do MPLA, e algumas das suas empresas foram hostilizadas pelo regime. A PGR de Angola congelou uma conta em seu nome no Banco BPC, invocando “orientações superiores”.

 

Para além de Ana Paula dos Santos, a antiga deputada arrolou também o antigo médico pessoal de Eduardo dos Santos acusado de negligencia e falta de assistência. Um documento de acusação que o Club-K, teve acesso alega que “Há uma massa de evidências de que a morte de Dos Santos foi favorecida por Ana Paula, Dr. Alfonso e outras figuras próximas do governo angolano”.

 

A acusação relata que em março de 2022 Eduardo Dos Santos regressou de Angola em estado de saúde limítrofe, considerando que “É inexplicável que o seu médico pessoal que o deveria ter acompanhado não protegeu a situação, aparentemente o Dr. Afonso estava coincidentemente com a sua família em Portugal apesar de ser obrigado a frequentar a Dos Santos diariamente. O diagnóstico oficial do Dr. Afonso foi anorexia nervosa, diagnóstico que os médicos de Barcelona descartaram”.


“Desde a chegada de Ana Paula em 28 de abril de 2022, as visitas dos filhos de Dos Santos e seu acesso aos dados médicos foram restringidos. Ana Paula instalou-se na casa Dos Santos com os filhos, a nora, o genro, os netos e todo o seu pessoal de serviço, garantindo assim o isolamento da Dos Santos das restantes crianças”, lê-se na acusação.

 

O documento diz igualmente que tratamento de fisioterapia muscular e respiratória que Eduardo dos Santos estava a ser submetido também foi restringido” e que “foram anulados por Ana Paula e pelo Dr. Afonso as visitas com a equipe médica espanhola nos dias 4 e 12 de maio, no momento mais delicado da saúde de JES”

 

“Após a paragem respiratória, Ana Paula manifestou o seu claro interesse em concorrer como esposa legítima de José Eduardo Dos Santos para tomar a decisão de desligar os suportes de vida que o mantinham vivo e transferir o seu corpo para Angola, apesar de não ter nenhum direito na Espanha por estar separado de fato por cinco anos e o casamento não estar registrado na Espanha”, lê-se ainda na acusação, considerando que “Isso, aliás, contraria a opinião da filha queixosa e de seus irmãos”



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