Luanda - Numa altura em que Angola está em plenos preparativos para as eleições gerais do próximo dia 24 de Agosto, o secretário do MPLA para os assuntos políticos eleitorais, João de Almeida Martins, negou que os dirigentes do partido no poder em Angola estejam a manter conversações com a Unita, principal partido de oposição, sobre uma possível transição pós-eleitoral, contrariando afirmações neste sentido do líder da Unita, Adalberto da Costa Júnior.

Fonte: RFI

Em conferência de imprensa ontem em Luanda, o secretário do Bureau Político do MPLA para os Assuntos Políticos e Eleitorais, João de Almeida Martins, rejeitou ter negociado uma transição de poder num encontro com o líder da Unita, o responsável político reconhecendo ter conversado com o presidente do “Galo Negro”, mas a pedido do político da Unita.

 

Ao lamentar que Adalberto Costa Júnior tenha feito uma "leitura errada" daquilo que se tratou no encontro realizado no passado dia 27 de Maio, o secretário do Bureau Político dos “camaradas” para os Assuntos Políticos e Eleitorais referiu ter sido “abordado pelo presidente do grupo parlamentar do MPLA, no sentido de se disponibilizar para um encontro com o presidente da Unita, do qual deu nota ao presidente do partido (João Lourenço, também Presidente da República)".

 

"Nós realizamos este encontro no dia 27 de Maio, no período da tarde, e dialogámos mais de três horas com o actual presidente da Unita” referiu o responsável político afirmando que durante esta reunião, foram abordados problemas do momento político actual, nomeadamente as listas eleitorais e o tratamento da base de dados, mas não foi evocada a eventualidade de uma transição política pós-eleitoral.

 

“Qual transição, qual negócio”, sublinhou Martins para quem só “um lunático” pensaria derrotar o partido que governa Angola desde 1975. Este responsável do MPLA referiu ainda que no âmbito do encontro mantido em finais de Maio, o líder da Unita tinha sido avisado que algumas das acções que estava a organizar poderiam ter “um carácter subversivo” e que “a subversão foi vencida a 22 de Fevereiro de 2002 [quando o líder e fundador da UNITA, Jonas Savimbi foi morto em combate] e foi vencida pelo Estado angolano”.

 

Em reacção, Álvaro Chicuamanga, secretário-geral da Unita, desmentiu as informações transmitidas pelo partido no poder e avançou que o referido encontro resultou de um convite do secretário do Bureau Político do MPLA para os Assuntos Políticos e Eleitorais e não dos “maninhos”.

 

Álvaro Chicuamanga explicou que neste encontro se tratou da promoção do diálogo, com a finalidade de afastar todo o tipo de crispação política que possa minar o ambiente eleitoral, já que o MPLA e a Unita têm maiores responsabilidades no mosaico político angolano.“Os dois maiores partidos, pela sua grandeza e história, devem procurar sempre dialogar para poder afastar todo o tipo de crispação que possa minar o ambiente. Houve uma reunião que foi proposta por eles próprios e ocorreu", sublinhou Álvaro Chicuamanga, secretário-geral da Unita.

 

O próprio líder da Unita reiterou hoje ter mantido um encontro com dirigentes do MPLA para abordar uma eventual transição pós-eleitoral e acusou o partido que governa o país de "defender ilegalidades para ficar no poder e ameaça com instabilidade”. Ao considerar que "quantos mais encontros, quanto mais diálogos houver, melhor para o país”, o líder da Unita ainda perguntou "então falamos de quê durante três horas e meia?”.

 

Recorde-se que Angola organiza no próximo dia 24 de Agosto as suas quintas eleições gerais (depois dos escrutínios organizados em 1992, 2008, 2012, 2017, todos eles vencidos pelo MPLA). A campanha eleitoral que arrancou há um pouco mais de uma semana reúne oito forças políticas concorrentes.

 



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