Luanda - Durante a campanha eleitoral de 2017, o então candidato do MPLA, João Lourenço prometeu a criação de 500 mil postos de empregos aos angolanos. Em Abril de 2019, o “Novo Jornal”, reportou que os 500 mil empregos, seriam sob a forma de um decreto presidencial, designado Plano de Ação Para promoção para empregabilidade (PAPE), a por em marcha em todo o país, de modo a ser comprido até 2021.

Fonte: Club-k.net

Contradições de dados, Conclusões e sugestões para as próximas promessas

Ao proferir o discurso do Estado da nação, do ano de 2017, o estadista reconheceu que há muito a fazer, mas garantiu ter cumprido um terço da promessa de criação dos referidos 500 mil empregos durante a presente legislatura.

Desde os últimos dois anos, que o Presidente tem sido pressionado pela sociedade e seus opositores para o cumprimento desta promessa eleitoral. No passado mês, durante um comício na cidade do Huambo, o Presidente encerrou parcialmente declarando ter criado 460 mil postos de emprego, o que equivale 86% do cumprimento da promessa.

OS DADOS DO INE E DA UNIVERSIDADE CATÓLICA


Não obstante ao esforço do Presidente, em querer ver a juventude do país toda ela no mercado de trabalho, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) contradizem com os números avançados pelo líder do MPLA, no Huambo.


Em Julho de 2021, o INE divulgou dados indicando que Angola perdeu em 2020 mais de 500 mil empregos, que contribuíram para o aumento da pobreza extrema, que atinge agora mais de 60% da população.


Um outro estudo do Centro de Estudos e Investigação Científica da UCAN, de Junho de 2021, sob o titulo “as verdades e inverdades do mercado de trabalho formal” mas sustentado pelo inquérito ao emprego em Angola (VI Trimestre de 2020 e I Trimestre de 2021), alertava a ocorrência de “distribuição de 400 mil postos de empregos no sector formal da economia” que iam de “um universo de 2,5 milhões de postos de empregos no primeiro período” e que o sector formal da economia, acima do numero de trabalhadores de toda a função publica”.

CONCLUSÃO


Tendo em conta que, o que contam são as estatísticas, Angola segundo o INE, perdeu mais de 500 empregos nos últimos anos. Em linguagem econômica, diz-se que os dados de emprego liquido em Angola é negativo.


Se os 460 mil postos de empregos anunciados pelo PR, não fossem do decreto, ou no papel, seria o mesmo que destruir 500 mil postos de empregos líquidos numa segunda feira, e na terça-feira, o mesmo governo comunica ter criado novos 500 mil postos de emprego, e na quarta-feira a TPA anuncia que o “partido” cumpriu com as suas promessas de criar “500 mil postos de empregos” prometidos em 2017.


RECOMENDAÇÃO


Para evitar constrangimento de imagem, os partidos devem evitar na sua campanha anunciar números ou usar retóricas de quantidades nas suas promessas usando a linguagem de “500 mil postos de empregos,” “300 camas de hospitais”, “200 salas de aulas”, que depois são desconstruídas ou de difícil prestação de contas. Uma vez que temos 60% dos jovens no desemprego, os partidos concorrentes as eleições pode dizer que vão aplicar em tirar metade desta juventude do desemprego. Depois cada cidadão poderá consultar a cada semestre ou ano os resultados, certificando ele próprio o cumprimento da promessa eleitoral. Desta forma o eleitor não se sente enganado nem coloca em causa a idoneidade do político ou do partido promotor das promessas.

José Gama

 



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