Luanda - “Três senadores americanos do partido Democrata introduziram um projecto de resolução apelando à realização de eleições livres, justas e pacíficas em Angola e pedindo ao governo americano que responsabilize qualquer entidade que subverta o processo eleitoral”.

Fonte: Club-k.net


Diante desta posição americana temos um ponto prévio e dois aspectos para analisar.


O ponto prévio diz respeito à “intromissão” de instituições estaduais americanas nos assuntos internos do Estado angolano.


Os Estados Unidos da América (adiante EUA) é a maior democracia, a maior superpotências militar e a maior economia do mundo. Embora tenha nascido da Antiga Grécia, a democracia tem como maior referência moderna o regime democrático americano.Apesar de não estar isento de falhas, a democracia americana possui mecanismos que preservam os valores democráticos, mesmo quando são postos em causa como aconteceu nas últimas eleições naquele país.


O chamado líder do mundo livre, promove a democracia em todo mundo e funciona, desde fim da Segunda Guerra Mundial, como o “polícia do mundo”, espalhando em todos os continentes uma “franquia americana de democracia liberal ”.

Esta posição dos EUA é discutível e tem sido posta em causa por outras potências revisionistas como a Rússia e a China.


Mas os países emergentes que pretendem embarcar na rota da democracia liberal não conseguem “escapar “ da censura dos EUA e estão sujeitos à intromissão daquele estado nos seus assuntos internos.

Receber a “aprovação” dos EUA é um sinal de prestígio internacional — é um “selo de qualidade” que dá acesso aos mercados financeiros e aos almejamos investimentos estrangeiros.

Não obstante do Senado americano não ser sujeito de direito internacional— por isso as suas Resoluções não têm carácter vinculativo ou qualquer valor jurídico para outro estado, mas uma Resolução deste órgão de soberania é um “sério aviso à navegação”.


Quanto aos dois aspectos da análise, vale dizer o seguinte:  O primeiro aspecto está relacionado com a falta de prestígio das nossas eleições. A iniciativa dos senadores americanos resulta da percepção negativa que a generalidade da comunidade internacional tem dos processos eleitorais ocorridos em Angola e o actual processo não foge à regra. são várias as instituições internacionais que apontam as fragilidades, as irregularidades e até o desrespeito deliberado de regras democráticas nas eleições em Angola.


O segundo aspecto entronca na oportunidade actual que temos de corrigirmos as falhas do nosso processo eleitoral.

 

Cada eleição em Angola torna -se uma oportunidade de fazer melhor que a anterior. Apesar do processo eleitoral actual já estar eivado de erros e de críticas, mas ainda temos tempo de o corrigir. Temos tempo para fazer diferente.

Parafraseando Nietzsche “ tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo”. E porque nós os angolanos já fomos privados, por muitos tempo, da democracia — e ela é hoje muito preciosa para nós, então vamos exercê-la na sua plenitude.

 



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