Luanda - “Temo mais os nossos erros que os planos dos nossos inimigos”, Pericles

Fonte: Club-k.net

O Primeiro Triunvirato — associação política entre três homens para dirigir um estado, foi uma aliança política informal estabelecida em 60 a,C, na República Romana, entre Júlio César, Pompeu e Crasso que havia de se prolongar até 53 a.C.


Essa aliança política terminou com a morte de Crasso em batalha sucedida pela inimizade e guerra entre César e Pompeu.


O Segundo Triunvirato foi estabelecido em 43 a.C ,ainda na República Romana, entre Marco António, Otávio e Lépido e prolongou-se até 38 a.C.


Ao contrário do primeiro triunvirato, o segundo foi uma aliança política formal. Com o nome oficial de “Triunviros para a Organização do Povo”. O Segundo Triunvirato chegou ao fim quando Lépido foi afastado. Depois iniciou -se uma guerra entre Marco António e Otávio que culminou com o suicídio do primeiro.


Em Angola, o “Primeiro Triunvirato” foi formado no período de transição para independência, entre Agostinho Neto do MPLA, Jonas Savimbi da UNITA e Holden Roberto da FNLA no célebre acordo de Alvor rubricado no dia 15 de Janeiro de 1975. De duração efémera, a aliança foi quebrada mesmo antes da proclamação da independência. Neto, com ajuda externa expulsou de Luanda os outros dois confrades, que também contavam com auxílio do exterior e iniciou-se uma guerra civil que durou 27 anos.

Abel Chivucuvucu (adiante Chivas) é o maior animal político no espaço público em Angola.


Qual fénix na era moderna, Chivas ressuscitou das cinzas dos confrontos de 1992 e agigantou-se na política nacional nos anos posteriores como um verdadeiro Self -Made Man.

 

Desde a tentativa frustada do “assalto” à Presidência da UNITA, passando pela liderança fulgurante da CASA, CE até ao actual comando truncado do Projecto PRA JA Servir Angola, Chivas experimentou o céu e o inferno.


Excelente orador, o antigo quadro da UNITA faz gala nos comícios da sua condição poliglota.


As intervenções de Chivas numa língua nacional são tão emocionantes e impactantes que deverão figurar dos “clássicos da política angolana”.


Considerado um dos mais exímios estrategas políticos angolano, o “Mano Abel” anda à frente da concorrência, até mesmo do triunvirato que faz parte— a Frente Patriótica Unida (FPU).


Contrariamente, ao líder que dirige o trio — que é um epifenómeno, Chiva é um mostro consagrado.
Antes era “um jovem turco” — cheio de ambição presidencial, Chivas é hoje um “Mais Velho” que “diminuiu -se” para levar água ao seu moinho.


Mas Chivas não é unicamente um posso infindável de virtudes e de boa aparência .


Há observações oportunas que devemos fazer em relação ao presidenciável nato.


A primeira diz respeito a sua metamorfose ao longo dos anos que o torna pouco confiável. Embora em política podemos aceitar a “liquidez” (no no dizer de Bauman) e o “jogo de cintura”, mas a mudança “constante” de formação política constitui um sério golpe à confiabilidade.


Actualmente, sobre Chivas recai uma profunda e justificável suspeição “de não ser uma pessoa confiável” e há até quem duvide da sua seriedade.


A segunda está ligada ao fado histórico dos triunviratos originais. Mal andaram estes senhores da FPU quando decidiram formar uma composição cujo o número em política é de má memória.


Os triunviratos romanos são um pesado fardo para FPU que dá sinais de padecer do mesmo mal que os “gemeres” originais. E mais: o “Primeiro Triunvirato Angolano”, como vimos, teve o mesmo fim que os clássicos - desavenças e guerras entre os seus integrantes.


Independentemente da veracidade dos áudios postos a circular nas redes sociais, todavia no mais presidenciável dos candidatos à Vice Presidência da República nestas eleições, notam-se sinais preocupantes do pecado original.


Em direito dizemos “ ubi commoda ibi incommoda” — aquele que colhe as vantagens de uma determinada situação, tem de arcar igualmente com as desvantagens“.


É inegável as vantagens de se ter o habilidoso Chivas nas hoste, porém quem dela faz parte deve -se precaver diante da imprevisibilidade do indomável animal político. E mais não digo…

 



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