Luanda - No percurso das sociedades as lógicas de organização da vida moldam as visões de mundo e o comportamento das colectividades em diferentes campos sociais. As diferentes formas de institucionalidade (família, escola, igreja, associações), com as suas modalidades de socialização, mobilizam o imaginário colectivo em torno de valores partilhados de solidariedade, interajuda e cidadania activa. São esses sistemas valorativos e simbólicos que concorrem para as modelagens do espaço público e a exploração das várias possibilidades nele existentes: participação livre e universal na disputa de opinião; formação das agendas políticas ou inclusão dos actores na tomada de decisões que os afectam.

Fonte: Club-k.net

Com a aproximação de mais um pleito eleitoral na nossa comunidade política a disputa pluralista torna-se o centro permanente de debates e intervenções, não perdendo de vista as velhas e novas vulnerabilidades nem a singular intensidade do nosso passado recente. Sustentadas pela diversidade dos novos canais de diálogo outras formas de participação política vão ganhando mais força e notoriedade, por intermédio da articulação de diferentes agentes da vida pública (tanto na paisagem real ou digital), contribuindo para estimular e absorver as energias democráticas dos cidadãos bem como testar a sensibilidade e a robustez das instituições. É deste modo que os distintos domínios da acção colectiva - enquanto recursos estratégicos de grupos sociais “sem poder” - direccionam as decisões públicas e configuram-se como critério de orientação à estratégia partidária de captação do voto.


Assim, ao assumirem a forma de compromisso nacional, as promessas eleitorais articulam acções políticas, jurídicas ou sociais, quer sejam de ruptura ou continuidade, confronto ou cooperação, para a consolidação das formas democráticas de convivência e cidadania que transcendam as dinâmicas privadas. Perante as expectativas em presença e a constelação de interacções entre os actores em jogo, a dimensão sociológica do voto remete-nos à reflexão em torno dos processos de produção de escolhas políticas estruturantes e democraticamente sustentadas, capazes de desenhar um horizonte estratégico de desenvolvimento face aos múltiplos e diferenciados desafios.

Florival de Sousa - Pesquisador e Mestre em Sociologia pela Universidade de Coimbra.

 

 



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