Luanda - Na oposição angolana, há que tema que observadores internacionais como os enviados por Portugal possam ser demasiado próximos do MPLA. A juntar aos receios de fraude eleitoral...

Fonte: SOL

A expectativa é que Angola tenha uma das suas eleições mais disputadas a 24 de agosto, havendo receios de que o Governo de João Lourenço recorra a fraude eleitoral caso esteja à beira de perder. E, dado o clima de tensão, a escolha dos observadores internacionais enviados por Portugal – Paulo Portas, Carlos César e José Luís Arnaut – tem causado algum desconforto entre a Oposição angolana, sendo vistas como sendo personalidades demasiado próximas do MPLA, avisou uma fonte bem posicionada na UNITA, o maior partido da oposição, ao Nascer do SOL, pedindo anonimato por o seu partido ter preferido não se posicionar publicamente contra a escolha de Portugal, para evitar constrangimentos na relação entre os dois países. E já Benedito Daniel, líder do Partido de Renovação Social (PRS), admitira à Voice of America ter receio quanto à imparcialidade dos observadores internacionais, dado «muitos convidados serem membros de partidos amigos do MPLA, partido no poder em Angola».

 

Olhemos para os três observadores eleitorais enviados por Portugal: Carlos César, o presidente do PS, partido-irmão do MPLA, pertencendo ambos à Internacional Socialista, ainda que uma ala socialista esteja mais ligada à UNITA; e Paulo Portas e José Luís Arnaut estiveram na tomada de posse de João Lourenço, em 2017, quando já não integravam o Governo, sendo que houve apenas quatro portugueses presentes.

 

Aliás, Paulo Portas, apesar de oriundo de uma área política muito distante do MPLA, enquanto antigo líder do CDS-PP, até chegou a ser convidado a título pessoal para um congresso do partido governante angolano, em 2016, provocando uma crise interna entre os democratas-cristãos. Tendo, à época, demarcado-se algumas figuras como José Ribeiro e Castro, Francisco Rodrigues dos Santos ou Adolfo Mesquita Nunes. Sendo que, no ano desse mesmo congresso, Portas começara a trabalhar para a Mota-Engil, uma empreiteira que em tinha Angola um dos seus principais mercados.

 

O porta-voz da UNITA, Marcial Dachala, fez questão de minimizar as preocupações quanto aos observadores internacionais vindos de Portugal, o único país com três representantes. Todos «são personalidades muito destacadas na vida política, cultural. E o senhor Paulo Portas até é um iminente jornalista», elogia Dachala ao Nascer do SOL. Como tal, o esperado «é que a observação seja objetiva e que não venha a ser influênciada por qualquer laço que tenham com o atual regime» .

 

«No final, em função do que vier a ser o seu desempenho, poderemos dizer muito mais», continuou. Aí, esta missão de observação portuguesa pode ter um papel crucial, tendo João Lourenço já exigido à Oposição que aceite à partida qualquer resultado anunciado pela Comissão Nacional de Eleições, algo que a UNITA recusa fazer cegamente, tendo até o seu líder, Adalberto Costa Júnior, pedido aos seus apoiantes que se mantenham perto das assembleias de voto após irem às urnas, tendo o partido alegado que haviam mortos a aparecer registados como eleitores.

 

Quanto ao desconforto com os observadores internacionais expresso por outros partidos angolanos, o porta-voz da UNITA lembra que nem todos estão bem posicionados para governar em breve. «É provavel que não tenhamos as mesmas responsabilidades. Somos todos competidores, mas há entre competidores há concorrentes», explica Dachala. «Temos que pronunciar-nos com responsabilidade neste jogo».

 

 



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