Luanda - O primeiro mandato presidencial (2017 – 2022) do líder do MPLA João Lourenço, foi definido com o léxico marimbondos que em linguagem coloquial angolana é o apelido para definir os corruptos. A designação marimbondo foi “atribuída pelos portugueses aos brasileiros, na altura da independência do Brasil”, pela primeira vez numa fase em que vários vespões munidos de um ferrão foram descobertos neste país Americano. Para o segundo mandato, o MPLA introduziu a expressão política informal geringonça um modelo em que o governo no poder opta em não negociar com a oposição no parlamento para aprovar pacotes legislativos.

 

Fonte: Club-k.net

Governar para o MPLA 

Joao-Lourenco-de-marimbondo-para-geringoca-eleicoes-angola-2022.jpg - 98,92 kBNo início do primeiro mandato, JLO mesmo recorrendo a insectos munidos de ferrões (marimbondos) para definir aqueles governantes que arrasaram com o bem comum angolano, durante o discurso de empossamento em 2017 teve um discurso que na globalidade inspirava alguma justiça social para todos e com uma mensagem positiva como “ninguém esta acima da lei” que foi enfatizada com o lema “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.


De outro modo dizendo, João Lourenço, subdividiu os marimbondos angolanos em duas classes: A espécie das boas vespas e por outro lado, aquelas vespas mortíferas: Boas vespas são aquelas aliadas às ideias do actual MPLA e que permaneceram no país. Contrariamente, as más vespas ou mortíferas são aqueles que abandonaram o país e os que não compactuam com a actual ideologia do partido.


O que significa geringonça em política?

Geringonça é o novo slogan introduzido ontem pelo mandatário do MPLA, João Lourenço para o segundo termo durante a primeira intervenção após a divulgação dos resultados finais da CNE em que o confere uma vitória ao MPLA com 51.17%.


A palavra geringonça foi usada pela primeira vez no « norte de França, na Idade Média, simplificadamente "jargon" ou "gergon" para descrever o gorjeio dos pássaros, a partir da raiz "garg-", que significa "tragar, engolir, falar confusamente". A mesma palavra reaparece, no sul de França, onde se falava o antigo occitânico, adoptada a forma "gergons", com o mesmo sentido que tinha no norte de França. »


Ainda na idade média este termo « chegou a Espanha e "gergons" cruzou-se com a palavra girgonça que, embora tivesse som semelhante, provinha da palavra francesa "jargonce", cujo significado era "jargão e gíria". Desta ligação, nasceu a palavra "jerigonza", cujo sentido, na Espanha do século XIV, foi "linguagem especial e difícil de compreender".


Foi no século XVI que a palavra "jerigonza" chegou a Portugal e adaptada a forma portuguesa "geringonça", conservando o sentido Frances e Espanho, ou seja: tudo aquilo que « é malfeito, com estrutura frágil e funcionamento precário".


O vulgo termo geringonça reaparece em Portugal em 2015 quando « o gabinete do primeiro-ministro Português António Costa, do Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, foi apelidado de “governo Geringonça”, por ter comandado “uma inédita coalizão de maneira improvável de partidos de esquerda em Portugal”.


Portanto, João Lourenço, introduziu a palavra geringonça na política angolana pela primeira vez após o anúncio oficial dos resultados finais referentes das eleições de 2002. Na curta intervenção JLO alertou a oposição que não haverá pactos partidários e ressaltou que tem a “legitimidade para governar sozinho ». Dito isto, a oposição angolana, apesar de ter conquistado 96 assentos parlamentares (Unita - 90, e os partidos PRS, FNLA e PHA – 2, dos 220 assentos) não serão chamados nem achado para negociar em nenhum pacote legislativo em discussão. Ou melhor, durante os próximos cinco anos o governo do MPLA com 124 assentos no parlamento não terá uma gestão de inclusão e classificará como uma falsa causa o número significativo de angolanos que não votou no MPLA.


Quer a sociedade civil como os partidos da oposição, têm sugerido que o país necessita de mudanças profundas e na qual teria como ponto de partida a revisão da CONSTITUIÇÃO no seu todo em que incluiria uma revisão da lei orgânica da CNE com o foco de implementar as eleições autárquicas para descentralizar correctamente os poderes políticos, administrativos e económicos em todas as jurisdições.


Enfim, o uso do léxico “geringonça » no quotidiano angolano na política teria uma mais-valia se fosse aplicado como uma ponte para interligar as diferentes opiniões de como gerir a “coisa pública” na qual priorizando o diálogo para aprofundar uma relação de irmandade entre governo, oposição e sociedade civil. Se o MPLA, pretende governar todos os angolanos para o bem comum independentemente da camisola partidária que ostenta, JLO teria que incluir no seu discurso a vontade popular dos 96 deputados eleitos no parlamento. É de salientar que o MPLA tem apenas 28 assentos a mais que a oposição. Interpretar ou transformar esta reduzida margem em 100% absoluto não estariam a ser realistas.


Em síntese, é oportuno ressaltar que o mandato anterior - marimbondo - não teve uma aprovação positiva não só na óptica da oposição e sociedade em geral como também internamente no seio dos camaradas principalmente no que tange na sua execução. Logo, o mandato da « geringonça » não promete aquelas mudanças tão esperadas pela juventude tendo em conta que JLO foi retumbante ao afirmar que o MPLA « governará sozinho » e que não « haverá geringonça » até 2027 altura em que o MPLA completará 52 anos no poder.



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