Lisboa - Liz Truss foi esta segunda-feira eleita nova presidente do Partido Conservador e futura primeira-ministra do Reino Unido, derrotando assim o seu adversário, Rishi Sunak. Truss estabeleceu a redução dos impostos e o combate aos preços altos da energia como as prioridades do seu mandato.

Fonte: Lusa

O Presidente do Conselho Nacional do Partido Conservador, Graham Brady, confirmou que Liz Truss é a nova líder do Partido Conservador, tendo obtido 81.326 votos. O seu opositor, Rishi Sunak, ex-ministro das Finanças, arrecadou 60,399 votos.

 

A atual ministra dos Negócios Estrangeiros apenas será indigitada como nova primeira-ministra do Reino Unido na terça-feira, quando Johnson apresentar a demissão de primeiro-ministro à rainha Isabel II no castelo de Balmoral, na Escócia. De seguida, Truss reunir-se-á com Isabel II para receber a posse da monarca. Liz Truss, de 47 anos, será, assim, a terceira mulher primeira-ministra do país, , após Margaret Thatcher e Theresa May, e a quarta política a ocupar o cargo em seis anos.

 

Pela primeira vez, devido a problemas de saúde, a rainha Isabel II não se deslocará a Londres para receber a nova primeira-ministra no palácio de Buckingham e permitir que forme governo.

 

“É uma honra ser eleita líder do Partido Conservador unionista”, começou por dizer Liz Truss perante a plateia de membros do partido.

 

Depois de agradecer aos que participaram na sua campanha, Truss homenageou ainda os restantes candidatos, em particular Rishi Sunak.


A nova líder do Partido Conservador deixou ainda uma mensagem de agradecimento ao primeiro-ministro cessante, Boris Johnson. “Boris, conseguiste cumprir o Brexit, esmagaste Jeremy Corbyn, conseguiste cumprir o que era necessário em relação à vacina e mostraste firmeza a Vladimir Putin. És admirado de Kiev a Carlisle”, disse Truss.

 

“Como vossa líder, irei cumprir o que prometemos em todo o nosso grande país”, prometeu Liz Truss. “Fiz campanha como uma conservadora e irei governar como conservadora”, sublinhou.


Truss promete reduzir os impostos e resolver problema da energia

A situação atual do país é bastante complexa e o novo primeiro-ministro herdará, por isso, um legado de vários desafios, sendo que o aumento do custo de vida estará no topo da agenda.

 

Os desafios passam, desde logo, pelo ponto de vista económico, com a inflação superior a dez por cento, com as estatísticas a apontar que poderá chegar aos 18 por cento.

 

No seu discurso desta segunda-feira, Truss traçou as prioridades para o seu mandato, que passam pela redução dos impostos, combate aos preços altos da energia e revitalização do serviço nacional de saúde.

 

“Vou concretizar um plano ousado para reduzir os impostos e fazer crescer a nossa economia. Vou resolver a crise energética, lidando com as contas de energia das pessoas, mas lidando também com os problemas de longo prazo que temos no fornecimento de energia”, anunciou Truss.


Relativamente aos impostos, o plano de Truss passará por baixar os impostos aos britânicos com um rendimento anual de 12 mil até 80 mil libras. Os economistas criticam a medida, afirmando que não irá reduzir a inflação e aumentar ainda mais a dívida pública.

 

Truss enfrentará também desafios políticos, uma vez que irá liderar um partido completamente dividido após a saída forçada de Boris Johnson. Apesar de ter tido a maioria dos votos dos delegados, a atual ministra dos Negócios Estrangeiros não teve a maioria dos votos dos parlamentares, que lhe podem dificultar ou facilitar a vida em função das políticas que for adotando e das pessoas que for colocando no Governo.

 

Truss enfrentará ainda a relutância do povo britânico, uma vez que o país está de costas voltadas para os conservadores. De acordo com uma sondagem, 52 por cento dos britânicos dizem que Liz Truss não vai resolver os problemas do país e será uma péssima primeira-ministra.

 

Assumidamente defensora de um mercado livre e impostos baixos, Liz Truss, de 47 anos, é uma política experiente que ocupou uma série de cargos ministeriais ao longo dos últimos dez anos.

 

Durante a campanha, Truss conquistou as bases prometendo cortes fiscais e adotando um tom duro contra os sindicatos, o que lhe valeu comparações com Margaret Thatcher.

 



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