Joanesburgo - Em finais do ano passado haviam indicadores de tendências retaliadoras  em meios militares guineenses antecedidas de desconfianças que levavam o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, tenente-general, José Zamora Induta a pernoitar próximo à fronteira de São Vicente, por alegadas razões de segurança. O mesmo chegou a declinar, em meados do ano passado, uma convocatória na embaixada de Angola, alegando as mesmas razões (de segurança.)


Fonte: Club-k.net

Na Guiné a  figura mais poderosa é quem chefia o batalhão de mansoa

A atitude de Zamora Induta foi compreendida em meios competentes, que o consideravam como a autoridade guineense que mais dominava a informação de ocorrência militar e civil no país. Chegou a ter o seu próprio braço privado de inteligência por intermédio de redes habilitadas que lhe são fieis. Era na pratica, um co-presidente para a área da defesa e segurança. As suas informações falharam  ao conformar-se de  que gozava da fidelidade do seu adjunto, o major general António Indjai.

 

António Indjai foi também adjunto do falecido general Baptista Tagme Na Waie e foi  quem dirigiu os militares revoltados que retaliaram  a morte do seu antigo chefe matando o então presidente Nino Vieira, na sua residência. Indjai é o comandante do batalhão de Mansoa, situado a cerca de 60 KM da zona norte de Bissau (com maior numero de efectivos). Na Guine-Bissau o mais poderoso entre os militares é a figura  que comanda o batalhão de Mansoa.

 

No seguimento da Morte de Tagme Na Waie, António Indjai viu-se ofuscado pelo então capitão de mar e guerra, Zamora Induta que diante do duplo assassinato de Tagme e Nino proclamou-se porta voz do exército. Em condições normais era, António Indjai quem deveria assumir interinamente a chefia das forças militares diante o vazio verificado. Não foi isso o que aconteceu, o primeiro Ministro Carlos Gomes Júnior, moveu influência colocando José Zamora Induta como novo CEMGFA e António Indjai como seu vice. Ignoraram que é Indjai a figura mais poderosa naquele país (por ter o batalhão de Mansoa). As autoridades terão ignorado este detalhe.

 

O “mais velho”, António Indjai que é um veterano de guerra terá iludido, o “miúdo” Zamora Induta fazendo  crer que lhe prestava lealdade. Não souberam identificar os seus interesses pessoas para satisfazer. Em conseqüência, António Indjai começou, em finais de 2009, a manter ligações com Bubo Na Tchuto que se encontrava na Gâmbia refugiado por alegadas perseguições.  António Indjai enquanto Vice do CEMGFA ajudou o Almirante Bubo Na Tchuto a regressar ao país no sentido de se materializar um assalto militar que terá falhado. O Almirante entrou com ajuda de uma Canoa, foi a sua casa vestir a farda e se dirigiu ao estado maior da marinha. Tinha como objectivo primário destruir ou queimar o paiol de armas próximo a base aérea de Bissalanca, que é o maior no país. Seria, uma medida para deixar desarmado os seus adversários. Desistiu do plano, na sequência de sugestões segundo a qual, ao invés de prosseguir com a acção deveria reclamar de volta, junto as autoridades, o seu cargo de chefe de estado da marinha. Em reação, as autoridades na pessoa de Zamora Induta e de Carlos Gomes Junior decidiram prende-lo provocando a sua fuga na sede das Nações Unidas enquanto que cerca de sete elementos que consigo estavam foram presos e interrogados.

 

Nas ultimas semanas, o major general Antonio Indjai havia sido despachado para Cuba em tratamento medico . Não havendo voo directo de Bissau para Havana o lógico seria partir para a fronteira mais próxima e de seguida pegar um avião no país vizinho e seguir o destino preconizado . As analises sugerem que o mesmo não terá chegado a viajar e que terá se mantido algures. Na manha de Quinta feira, surpreendeu as pessoas ao aparecer a chefiar movimentações militares.

 

O que se conclui é que o mesmo terá simulado ausência do país para por detrás mandar soltar o Almirante Bubo Na Tchuto que se encontrava refugiado na sede das Nações Unidas e este por sua vez dar um “golpe militar”, eliminando o Chefe de Estado Maior, Zamora Induta para de seguida, Antonio Indjai ser declarado novo CEMGFA pelos golpistas.


Isto é, as 10h30 de Quinta feira, militares afectos a Antonio Indjai invadiram o Gabinete do Primeiro Ministro, Carlos Gomes Júnior e levaram lhe para a base de Amora. Em simultâneo um grupo de militares dirigiu-se a sede da ONU  em Bissau para dali remover o antigo chefe da Armada, José Américo Bubo Na Tchuto que de seguida foi ao Estado Maior da Marinha. Passados 55 minutos, da detenção do PM, os militares soltaram o Primeiro Ministro levando-o de volta para o Palácio do Governo. António Indjai que é agora o novo líder das forças militares ameaçou  matar o primeiro Ministro em resposta a manifestação da população que saiu a rua em solidariedade deste.


Em paralelo as movimentações militares, foi verificado que o CEMGFA, tenente-general José Zamora Induta estava incontactável. Um dos seus telemóveis dava desligado enquanto que o outro, a ligação caia na mensageira. Há informação de que o mesmo esta detido na base aérea de Bissalanca. Na linguagem militar adaptada ao procedimento da forma de acção dos militares guineense é sinônimo de que estará ou poderá ser abatido. Aconteceu com o ex- chefe da junta militar, Ansumane Mané, nesta mesma quando no passado, os seus colegas golpistas (Veríssimo Seabra, Zamora Induta e etc.) torturam lhe acabando por lhe matar após ter sido detido. Foi depois declarado morto na sequencia de uma suposta fuga.


A situação da Guine Bissau é seguramente a queda do governo de CADOGO, conforme é também conhecido . Quanto ao futuro perspectiva-se a formação de um governo de incitativa presidencial. Braima Camara “Ba Kekuto”  sempre foi visto como o preferido do Presidente Malan Bacai Sanha para este cargo.



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