Lisboa - A espanhola INDRA, ainda não reagiu as informações postas a circular na capital portuguesa, apontando que terá firmado com a Comissão Nacional Eleitoral de Angola (CNE) um contrato de cerca de 160 milhões euros, e desta parte terá subtraído 50 milhões que foram mais tarde canalizados para eventuais facilitadores angolanos não mencionados. A “quantia” terá ido parar para a conta de uma empresa de elementos angolanos que abriram escritórios no centro comercial das Amoreias em Lisboa.

*Carlos André
Fonte: Club-k.net

A INDRA presta serviços de fornecimento de logística eleitoral as autoridades angolanas desde as eleições de 2008, altura em que participou em formato de consorcio com a “Valley Soft” uma empresa ligada a dirigentes do MPLA. O conteúdo dos seus contratos nunca divulgados publicamente tem sido obejecto de controvérsia.

 

Para as recentes eleições, o concurso público foi realizado em finais de 2021, na qual concorreu com uma outra empresa americana SmartMatic que foi excluída. Nesta era Lourencista, os contactos terão sido confiados a uma equipa que pelo lado da INDRA esteve o director de mercado do sector Pedro Rodríguez Veiga, e pela parte angolana, o titular das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Gomes da Conceição Homem, na qualidade de responsável do órgão que assegura as condições para a transmissão das actas- sínteses.

 

A nível da CNE, o aprofundamento dos contatos foram estabelecidos por “testa de ferro” de Manuel Homem, Miguel Tandawembo Rodrigues Cazevo, que ai está como comissário eleitoral.

 

Miguel Rodrigues Cazevo é na CNE, o quadro da alta confiança de Manuel Homem. Ambos são amigos de longa data. Foram colegas na Universidade Privada de Angola, onde cursaram informática.Trabalharam juntos no Ministério das Telecomunicações e Tecnologia de Informação. Quando em 2017, Manuel Homem deixou de ser o DG do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação, indicou Rodrigues Cazevo para o suceder no cargo, propondo-o logo a seguir como administrador da Angola Telecom. Seria em Agosto de 2020, que o titular das telecomunicações o introduzia como comissário da CNE.

 

Em Agosto de 2012, o então Presidente da UNITA, Isaías Samakuva, havia denunciado que a CNE assinou com INDRA por $130 milhões um contrato que o mercado cobra $25 milhões, sem que nenhuma das partes tivesse contestado as informações.

 

Dizia o político que “o valor do contrato que a CNE assinou com a INDRA, sem concurso, para transmitir os resultados, a partir dos 164 Municípios, é de cerca de $130 milhões de dólares. Ou seja, para transmitir resultados a partir de 10,349 pontos, o mercado cobra $25 milhões de dólares. Para transmitir resultados a partir de apenas 164 pontos, a CNE concordou pagar $130 milhões de dólares! Claro, sem concurso”.

 

Em épocas eleitorais a CNE conta com um orçamento perto de um bilhão de dólares. Nas eleições de 2008 o orçamento foi de USD 927,5 milhões, nas de 2012 foi de USD 653 milhões, e em 2017 foi de USD 796 milhões. Tais quantias tem provocado cobiça em meios políticos levando com que em Fevereiro de 2019, uma corrente ligada ao antigo Presidente do Tribunal Supremo Rui Ferreira produzisse um regulamento para o concurso a Presidência da CNE que facilitasse Manuel Pereira da Silva “Manico”, como Presidente desta instituição.

 

A filha de Rui Ferreira, Vanessa Ferreira Lopes, é assessora do Presidente da CNE e esposa do ministro Marcy Lopes, responsável do registro eleitoral.



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