Luanda - Depois de assistirmos a mesma “encenação eleitoral” de sempre, por um lado, o MPLA, o eterno “vencedor formal das eleições” com maioria absoluta (o mínimo olímpico para governar sozinho) e, por outro lado, a UNITA (e o resto da oposição) crónico derrotado-constestatário — contesta inicialmente os resultados eleitorais e, depois, aceitan-os de forma complexada e contrariada, ocupando inelutavelmente os seus assentos parlamentares, vamos elencar as razões que impediram a ocorrência da alternância política nas eleições de 2022, em três grandes grupos:

Fonte: Club-k.net

(A)
Razões Ligadas ao seu Principal Adversário Político

As razões ligadas ao seu principal adversário político, o MPLA, são externas à formação política que pretendia protagonizar a alternância política em Angola em 2022— UNITA/FPU, a saber:

1. O MPLA é a única formação política que governou(a) Angola desde a sua independência em 1975.

2. O MPLA, a par da UNITA, é uma formação política com forte implementação em todo o território nacional e em certa medida no exterior do país.

3. O MPLA tem uma base de militantes muito alargada — milhões de filiados.

4. O MPLA tem o controlo das instituições que prepararam (MAT), organizam (CNE) e controlam ou fiscalizam jurisdicionalmente as eleições (TC).

5. O MPLA tem o controlo dos meios de comunicação social pública que condiciona o exercício pleno das liberdades de expressão e de imprensa, utilizando-os a seu favor.

6. O MPLA tem o controlo do aparelho sancionatório do Estado, não perdendo a oportunidade de o exibir e o ultilzar sempre que for necessário na defesa dos seus interesses.

7. O MPLA usa os meios do Estado para fazer campanha eleitoral.

8. O MPLA aprova a legislação eleitoral e conexa a seu favor.

9. O MPLA dirige o Estado angolano e aproveita -se desta posição para influenciar a seu favor a opinião pública internacional — através das relações diplomáticas entre estados e nacional — através das relações entre o Estado e as várias organizações da sociedade nomeadamente, igrejas, confissões religiosas, entidades do poder tradicional e outras.

10 O MPLA tem grande capacidade financeira, de organização, mobilização e propaganda política.

11. O MPLA é um partido doptado de muitos quadros espalhados pelo país e uns tantos dispersos na disposta.

12. Apesar do elevado índice de rejeição, o MPLA é uma marca histórica muito conhecida dentro e fora de Angola.

(B)
Razões Endógenas

Vamos. hic et nunc, elencar as razões internas da UNITA/FPU que impediram a alternância política, a saber:

13. A UNITA/FPU não estavam suficientemente organizadas para enfrentar a “capacidade de manipulação” do MPLA.

14. A UNITA/FPU não preparam convenientemente a logística pré, durante e pós eleitoral.

15. A UNITA/FPU não comunicaram bem no período da publicação dos resultados eleitorais o que impediu a contestação “informal das eleições”.

16. A UNITA/FPU não geriram bem os momentos decisivos eleitorais: durante a divulgação dos resultados eleitorais e durante a contestação dos mesmos na CNE e no TC.
Não houve manifestações pacíficas como a que ocorreu no dia 24 de Setembro último.

17. A UNTA/FPU não têm meios financeiros nem estratégia para contrariar as barreiras impostas no processo eleitoral.

18. A liderança da UNITA/FPU é sexagenária não tem o “espírito jovem de sacrifício “ capaz de enfrentar o regime ainda que implique o surgimento de “novos heróis nacionais”.

19. A UNITA/FPU preferiu o comodismo de sempre dos assentos na Assembleia Nacional e no Conselho da República aos invés da luta “sem quartel” nas ruas, com greves de fome, vigílias e outros meios de protestos pacíficos que nunca foram experimentados nas suas (UNITA) recorrentes contestações eleitorais.

20. A UNITA/FPU não tem a capacidade de mobilizar os sindicatos dos trabalhadores dos principais sectores da actividade em Angola para provocarem greves generalizadas ou por sectores vitais com vista a pressionar o Executivo.

21. A UNITA/FPU não foi suficientemente sedutora para mobilizar grande parte dos quadros nacionais que estão no aparelho do Estado, sobretudo os descontentes no seio do MPLA.

22. A UNITA, por conta do seu passado histórico de guerra, tal como o MPLA, embora popular, não é uma marca muita atractiva, provocando um nível elevado de rejeição/abstenção.

23. Mesmo que a UNITA fosse declarada vencedora com os números que ela própria divulgou não teria maioria absoluta e, por isso, não conseguiria governar.
Dito de outro modo, nem com os resultados das actas-sínteses na posse da UNITA ocorreria a propalada alternância política.

24. A UNITA/FPU é um projecto com uma liderança experimentada mas que não foi capaz de superar, suficientemente na mobilização de eleitores nem no controlo do voto, a hegemonia do MPLA que usou, nos dois momentos, precisamente, as mesmas fórmulas de sempre.

(C)
Razões Ligadas a Sociedade Angolana

As razões ligadas à sociedade angolana são as seguintes:

25. Um nível alto de rejeição em relação aos dois grandes partidos do sistema. O MPLA e a UNITA têm índices altos de rejeição que ditou a elevada abstenção ocorrida nas últimas eleições, sem prejuízo do número de mortos do ficheiro eleitoral.

26. Grande parte da sociedade não se revê em nenhuma formação política existente.

27. O baixo índice de escolaridade coloca grande parte dos cidadãos à margem da política.

28. Grande parte dos quadros nacionais aderem ao voto útil ou simplesmente engrossam o elenco enorme da abstenção.

29. A desinformação e a má comunicação existente no nosso país colocam muitos cidadãos à margem da política

30. Ausência de uma formação política inovadora capaz de seduzir e empolgar o grande eleitorado — a juventude angolana.

Salvo melhor apreciação estas são as principais razões que colectemos da análise que fizemos das últimas eleições, no próximo comentário trataremos da terceira via, até lá alea jact est …

 

 



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