LUANDA — Líderes comunitários angolanos subscrevem o relatório divulgado pela organização não governamental Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) sobre a pobreza no país e consideram “um fracasso” o Programa de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (Pidlcp).

Fonte: VOA

O mais recente inquérito sobre a execução do Pidlcp concluiu que “mais de metade dos inquiridos diz que o mesmo não impactou a sua vida e não resolveu a situação mais urgente das comunidades, que são a fome, saúde, energia, água, mobilidade e educação”.

O estudo, feito nos municípios de Cacuso, província de Malanje, do Bailundo, província do Huambo, e da Ganda, província de Benguela, constatou que o Pidlcp “foi ineficaz na promoção da educação e também na melhoria da qualidade dos serviços de saúde”.

Bernardo Castro, responsável da Rede de Terra Angola, disse que o Pidlcp fracassou porque os fundos alocados para as diversas áreas de apoio social foram desviados pelos gestores para outros fins.

“É a corrupção que existe em todos os sectores da vida social do país”, sublimhou aquele responsável que insiste que muitos destes programas pecaram por não incluir outros actores na sua elaboração.

Para Domingos Fingo, responsável da Associação Construindo Comunidades (ACC), que actua nas províncias da Huíla e Cunene, “foi um programa meramente político porque consistiu em ludibriar os cidadãos vulneráveis”.

O relatório da pesquisa, apresentado esta terça-feira, 4, em Luanda descreve a pobreza em Angola como sendo “extrema é ainda mais forte do que imaginamos”

O documento diz que os níveis de pobreza estão longe daqueles que são frequentemente apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística angolano (INE) e recomendou o aumento da verba para a merenda escolar e distribuição regular para dirimir o problema da desistência escolar.

Para a ADRA “os angolanos, em particular os que vivem em áreas mais recônditas sentem a pobreza e sentem-na numa proporção asfixiante”.

A organização considera que o INE tem todo o mérito em produzir estatísticas para servir de análise e auxílio na formulação de políticas, mas os seus números não captam realmente a intensidade da pobreza e vulnerabilidade dos cidadãos.

No que toca à fome e aos níveis de desnutrição crónica registados, devido à depressão da atividade agrícola, tendo como efeitos o êxodo rural das famílias à procura de outras áreas agricultáveis, os inquiridos pretendem que o Governo invista na agricultura e os ajude a cultivar.

A ADRA diz, entretanto, ser “fundamental continuar a produzir estudos desta natureza e que possam dar conta das dimensões mais subjectivas da pobreza e que consigam aprofundar dimensões mais qualitativas deste fenómeno”.

 

 



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