Luanda - O presidente do Movimento de Estudantes Angolanos (MEA) disse hoje que escreveu à Direção Nacional dos Direitos Humanos sobre o desfecho de uma manifestação para reivindicar a falta de carteiras escolares, alegadamente reprimida pela polícia com tiros.

Fonte: Lusa

Francisco Teixeira, em declarações à Lusa, disse que os alunos, com idades entre 8 e 15 anos, que se encontravam desaparecidos e fizeram parte de um grupo de perto de 300 estudantes, supostamente liderados por um professor na marcha, estão já localizados, alguns com ferimentos ligeiros.

 

"Os estudantes já apareceram, alguns com arranhões, assustados, mas isso está ultrapassado. Estamos na esquadra a tentar libertar o professor", referiu Francisco Teixeira.

 

Segundo o presidente do MEA, o professor continua à espera para ser ouvido pelo Ministério Público.

 

"A procuradora ainda não chegou, estamos aqui desde as 09:00, e continuamos à espera da procuradora. Temos o receio que a procuradora não venha e ele seja ouvido só na segunda-feira", explicou.

 

O ativista do movimento estudantil angolano informou que está agendada para segunda-feira uma reunião com a Direção Nacional dos Direitos Humanos, com a Provedoria de Justiça, sobre o assunto, prometendo levar o facto a organizações internacionais.

 

De acordo com relatos de estudantes que participaram na marcha, a polícia terá efetuado tiros para dispersar os manifestantes, além de agredir o professor, que se encontra detido.

 

Para Francisco Teixeira, "dessa vez, a polícia chegou no fundo do poço", acrescentando que os estudantes dizem que a polícia fez tiros e na confusão alguns caíram e ficaram feridos.

 

"Eram crianças de 8, 9, 10 anos, não havia necessidade de a polícia fazer tiros, são inofensivas. É preciso a polícia fazer tiros para dispersar?", questionou.


Em relação ao estado de espírito das crianças, Francisco Teixeira informou que muitas estão assustadas, "principalmente as meninas de 12, 13 anos".

 

"Viveram um cenário de guerra, a polícia apareceu mascarada como se fosse uma guerra, mas vamos acompanhá-los, vamos tentar envolver psicólogos para auxiliar as crianças", acrescentou.

 

"Eles acompanharam o professor a ser agredido, com choques elétricos, esses estão mais assustados. Mas hoje quando o professor foi retirado de uma esquadra para outra, os estudantes saíram das salas a gritar a favor do professor, foi um sentimento muito bom, quer dizer que em termos de cidadania, de direitos, as crianças vão já tendo alguma noção daquilo que são os seus direitos e é bom para um país como o nosso, em que a democracia ainda é muito jovem", destacou.

 

 

O professor, que está a ser acusado do crime de danos materiais e de ter organizado a marcha sem autorização, pretendia reivindicar a falta de carteiras na escola, localizada no município de Viana, arredores da província de Luanda, capital de Angola.

 

A polícia foi chamada a dispersar os manifestantes, tendo alegadamente efetuado disparos para terminar com os protestos, informação que é rejeitada pelas autoridades policiais, que admitem abrir um inquérito para averiguar a veracidade dos factos.

 

O Sindicato dos Professores Angolanos considerou justa a reclamação, pecando apenas na forma como terá sido organizado o protesto, por ter exposto as crianças ao perigo.

 



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