LUANDA — Um agente do Serviço de Investigação Criminal no Cafunfo (SIC), vila diamantífra do Cuango na província da Lunda Norte, é acusado de ter espancado, no fim-de-semana, o conhecido activista dos direitos humanos Jordan Muacabinza, alegadamente por pretender saber das causa e circunstâncias da morte de um cidadão, cujo corpo tinha sido abandonado num matagal.

Fonte: VOA

Jordan Muacabinza disse à VOA que a atitude do agente de nome Domingos José Vadinho violou os seus direitos enquanto activista e exige que aquele operativo da polícia seja responsabilizado pelo crime de agressão.

O activista acusa o agente em causa de estar na origem de outros crimes contra cidadãos na região, incluindo membros da sua família.


“Enquanto fotografava o cadáver fui surpreendido com uma chapada às costas e outras duas na cara. Ele disse que não se importava com o facto de eu ser defensor dos direitos humanos”, revelou Muacabinza.

Contactado pela VOA, o responsável pelo SIC de Cafunfo, Domingos Dalila, disse que a agressão ao activista deveu-se ao facto de este ter violado um espaço classificado como “local do crime” e que estava devidamente vedado e isolado pelos agentes de investigação criminal.

“Eles violaram a vedação, pegaram no corpo e o senhor


pisou o espaço à volta do cadáver. Mataram todas as evidências”, disse o investigador criminal.

A região do Cafunfo foi palco em Janeiro de 2021 de confrontos entre a polícia e populares que pretendiam se manifestar contra a carestia de vida e o suposto abandono da região pelo Governo provincial.

O incidente resultou na morte de várias pessoas cujos números exactos nunca foram tornados públicos.


Na sequência das prisões ocorridas, o Tribunal da Comarca do Dundo, província angolana da Lunda Norte, condenou o presidente do autodenominado Movimento do Protectorado da Lunda Tchokwe, José Mateus Zecamutchima e mais três arguidos, a quatro anos e seis meses de prisão, pelo facto de pertencerem ao referido movimento.

Zecamutchima tinha sido acusado de crimes de associação criminosa e realização de manifestação violenta, na sequência dos confrontos entre a polícia e manifestantes a 30 de Janeiro do ano passado, nos quais de seis a 30 pessoas terão sido mortas.



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