LUANDA — As dificuldades de acesso às fontes, a ausência de pluralidade de informação e de liberdade de imprensa, assim como o desrespeito ao trabalho dos profissionais, a má remuneração e a falta de estratégia para capacitação permanente dos profissionais são alguns dos actuais desafios da classe jornalística.

Fonte: VOA


Nos últimos anos tem se registado um recuo no que concerne as liberdades e garantias do exercício do jornalismo. Para o jornalista da Rádio LAC, Manuel Augusto, ainda há uma longa trajetória a percorrer rumo a um exercício livre e democrático da profissão, “se olharmos para o caso mais recente que aconteceu na província de Benguela onde um jornalista da Agência Angolana de Notícias, José Osório, foi agredido por agentes da ordem pública quando intervinha a favor de vendedeiras ambulantes escorraçadas”, refere o Jornalista Manuel Augusto.

 

Actualmente o jornalismo angolano tem estado a conquistar mais e melhores liberdades, afirma o Jornalista José Magalhães para quem isto se traduz nos ganhos de melhor liberdade dos profissionais. Mas tem as suas lacunas e uma delas é a ausência de formação académica e de potencialização dos profissionais.

 

«Precisamos da formação superior. Precisamos potenciar o nosso próprio conhecimento individual e na área em que estamos especializados. Mas isto não retira ao jornalista a possibilidade de fazer o seu trabalho com isenção, rigor e profissionalismo»., disse

 

A pluralidade de órgãos de informação contribui significativamente para promoção da qualidade do jornalismo. Para o jornalista Victória Maviluka o reduzido número de órgãos de comunicação social periga a pluralidade da informação e consequentemente a qualidade do serviço público prestado à sociedade.

 

O Jornalista acredita que “a concorrência de órgãos de comunicação gera qualidade”.

Desafios e oportunidades

José Magalhães olha para os jornalistas como cientistas sociais com olhar atento e desapaixonado sobre os factos sociais. Entre desafios e oportunidades, o jornalista da Rádio Global chama atenção para se pôr fim a vulnerabilidade no seio da classe jornalística e, para o uso correcto das redes sociais e a favor da profissão.

 

Nos últimos anos o Estado chamou para si a tutela de vários órgãos de comunicação social privados, no âmbito do processo de recuperação de activos e fundos criados com capital do Estado.

 

Esta nova realidade põe em questionamento a isenção, a sustentabilidade e a estabilidade dos profissionais, segundo afirmação do jornalista para quem um dos grandes desafios actuais é sustentabilidade financeira dos órgãos e dos jornalistas para que estes desempenhem a profissão sem dificuldades, com zelo, isenção e dedicação.

 

Isto, na visão do jornalista, evitaria o actual fenómeno de migração dos jornalistas para a assessoria de imprensa e outras profissões em busca de melhores condições de vida.

 

«O nosso grande problema no fundo são investimentos que possam garantir a sustentabilidade dos órgãos e com isto dos jornalistas para que exerçam a profissão sem sobressaltos», disse

 

Tem havido um grande empenho dos jornalistas para mediação e de forma acutilante denunciar os problemas sociais. Com isto se nota uma certa aproximação entre o Governo e a imprensa, diz o Jornalista Manuel Augusto para quem este quadro ainda não satisfaz.

 

As fontes de informação oficiais não se sentem ética e juridicamente obrigados a obrigados a prestar informação aos jornalistas, por isso José Magalhães pede disponibilidade dos Governantes e chama atenção para a necessidade se melhorar a relação entre os membros do Executivo e a imprensa.

 

Por sua vez o jornalista Victória Maviluka, vencedor do Prémio Nacional de Jornalismo edição 2022 na categoria de imprensa, refere que o acesso ás fontes de informação é um problema histórico do país, por isso apela a continuidade da luta e do trabalho árduo pelo interesse público.

 

Maviluka venceu o prémio nacional de jornalismo na categoria imprensa com a peça “Todos pelos mangais, não importam as divergências”.

 



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