Luanda - Em entrevista exclusiva à TVI e à CNN Portugal, a empresária angolana acusa o governo liderado por João Lourenço de perseguição política

Fonte: CNN

Isabel dos Santos saiu de Angola em 2018, ano em que José Eduardo dos Santos deixou a presidência, sucedendo-lhe um previsivelmente amigável João Lourenço, que depressa encetou mudanças que acabaram por ter influência em toda a família Dos Santos. Uma delas foi o afastamento da empresária, que chegou a ser a mulher mais rica de África, de cargos que tinha no Estado, em particular na Sonangol, empresa que gere o património petrolífero daquele país africano.

 

Em entrevista exclusiva à TVI e à CNN Portugal, Isabel dos Santos admite agora voltar ao seu país para ser parte ativa na política, setor que critica e diz estar a persegui-la.


“Não tenho dúvida, de uma forma ou de outra vou contribuir para o futuro político do meu país. Angola precisa de um novo futuro político”, afirma, vendo “outros desafios” num país que entende não ter separação de poderes, nomeadamente entre o judicial e o executivo. De resto, é essa mesma ausência de separação de poderes que a empresária garante ser a razão para uma “perseguição política” que a impede de “fazer a diferença em Angola”.


"Os tribunais não são independentes, os juízes recebem instruções e alguns são utilizados para cumprir uma agenda política. Nos países onde a lei funciona eu estarei sempre a salvo. O único sítio onde não estarei a salvo é em Angola", argumenta.

Acusando o Estado angolano de “violar a Constituição”, Isabel dos Santos lança duras críticas ao presidente, João Lourenço, mas sobretudo ao procurador-geral da República, Hélder Pitta Grós. É à mais alta figura jurídica da nação angolana que a empresária atribui grande parte dessa “perseguição”, que sublinha ser ordenada pelo chefe de Estado. “O procurador-geral da República recebe ordens diretamente do presidente. Em Angola o procurador, o general Pitta Grós, recebe ordens diretamente do presidente Lourenço. Qualquer ordem deste tipo é uma ordem do presidente”, afirma, referindo-se ao mandado de detenção internacional emitido pela Interpol após pedido da justiça angolana.

É aquilo a que Isabel dos Santos chama “lawfare”, uma utilização das instituições públicas e da lei para combater um opositor económico e político. Uma queixa semelhante às feitas por Lula da Silva ou José Sócrates, que também entendem que os processos judiciais que sobre eles recaíram foram politicamente motivados.


“A razão é essa: não se quer ter concorrência ou outras pessoas que tenham outras ideias e outras vozes a entrarem na política em Angola e a dominarem a economia. Há uma série de informações que são passadas aos media que são efetivamente falsas”, vinca, acusando mesmo o Estado angolano de “forjar” provas para motivar o arresto de bens e de ações de empresas suas. Provas essas que, segundo a empresária, são cartas a “testemunhar uma reunião que nunca" teve ou outros documentos falsos.

Sobre os fundamentos do mandado da Interpol, que foi noticiado há dias, Isabel dos Santos diz desconhecer o conteúdo do documento, tal como os seus advogados, que “não o viram”. Ainda assim, a empresária tem uma certeza: “Está sem dúvida ligado à nacionalização da Unitel. Quando vemos a nova lei da nacionalização há uma cláusula muito estranha que diz que se houver um processo ou um inquérito a empresa ou a pessoa ligada não tem direito a indemnização.”

 



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