Luanda - No pretérito dia 18 de Novembro do ano em curso, recebemos informações do passamento físico do músico Gelson Caio Manuel Mendes, vulgo Nagrelha dos Lambas, ou se preferirem Estado Maior do KUDURO. Num comunicado inócuo, a direcção do Complexo Hospitalar Cardiopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento comunicava a sua morte por doença prolongada, propriamente por câncer ou cancro do pulmão, também conhecido como neoplasia pulmonar. O tabagismo e exposição passiva à substâncias psicotrópicas estão na base do desenvolvimento de tal doença maligna.

Fonte: Club-k.net

“Os homens fortes, erguem edifícios fortes, os homens das massas, fazem das massas o seu estilo de vida e vivem eternamente.”

 

Nagrelha, ou simplesmente NANÁ, pela história da sua vida, foi submerso à diversas envergaduras cujos desafios obrigaram-no a arregimentar-se para colocar-se a altura de tudo quanto esteve no seu caminho para enfrentar, hoje, tivemos a oportunidade de ver no solo angolano, um músico cujo nascimento, não foi o centro das elites, mas que o seu alcance transcende todas e quaisquer limites de atuações.

 

Um jovem que nasceu, cresceu num subúrbio de Luanda, cujo sistema escusou-se dar-lhe oportunidade de frequentar uma escola e emancipar-se face às dificuldades básicas que as comunidades enfrentam, decidiu quebrar os limites acadêmicos impostos, refugiou-se no mediático estilo de música KUDURO, encontrando assim uma oportunidade para o seu sustento e o garante da sua continuidade, hoje torna-se no “expoente máximo do estilo Kuduro moderno” em nosso modesto entendimento, face a sua luta de resiliência. Nagrelha, não representa uma classe específica, Nagrelha, representa a classe de jovens discriminados pela urbe que a aceitação depende do “status quo". Nagrelha, inspirou-se nas dificuldades de vida e encontrou no estilo de música KUDURO o motivo para a sua luta de resistência e aceitação. Hoje, a frase comum na comunidade que diz: “o guetho venceu” reflete-se essencialmente naqueles que buscam o seu pontencial para mostrar que a discriminação social que a maioria dos jovens têm sido vítimas, é susceptível de ser ultrapassada desde que haja resiliencia para este fim.

 

O consenso nacional que o Estado maior do KUDURO granjeou, deveria servir de rampa para o lançamento do debate nacional sobre a discriminação social à classe dos jovens que buscam firmar-se no país. Não é possível que só filhos ou jovens de certas áreas específicas e/ou famílias específicas do país sejam capazes de ascenderem. Acreditamos numa forte capacidade jovial de inovar e inovar-se e hoje, Nagrelha nos provou que não precisamos de impor respeito, admiração, carinho e outros afetos, bastou sermos nós mesmo, atuarmos no nosso leito normal, que a nossa passagem cá na terra, será de facto um marco para jamais ser esquecido, por quem quer que seja, pois, entenda-se, “os homens fortes, erguem edifícios fortes, os homens das massas, fazem das massas o seu estilo de vida e vivem eternamente.” Nagrelha, forjou-se nas massas, a sua vida foi feito nas massas, hoje ao ser enterrado, não precisou de tolerância de ponto, muito menos obrigar pessoas para que deem o seu último adeus àquele que marcou uma geração de ousadia com as suas emblemáticas músicas, simplesmente milhares de jovens que sentiram-se identificado com a sua resiliência e ousadia de vida, viram-se obrigados a encerrar um cemitério e ruas para priorizar o seu ícone.

 

Hoje, temos a grelha do Complexo Hospitalar de Doenças Cardio-pulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento a grelhar Nagrelha dos Lambas, não foi capaz de evitar passar na grelha o Estado Maior do Kuduro, pêsames a família, pêsames aos jovens discriminados, pêsames aos músicos, pêsames a cultura que torna-se cada vez mais órfã, pêsames a sua comunidade do SAMBILA, um até já soldados da resistência.

 



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