Lisboa - Foram precisos dez (10) dias, para o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, chegar à conclusão de que deveria condenar o que aconteceu no passado dia 01 de Abril na Guiné-Bissau!

Fonte: Didinho.org

A mentira é apenas uma verdade adiada...

Muitas mentiras começam a transformar-se em verdades na Guiné-Bissau e é por intermédio dessas verdades que se vão conhecendo, que o povo guineense, único dono legítimo do poder, deve posicionar-se de forma firme e exigir responsabilidades e responsabilizações a quem de direito.

 

Continuamos a ser insultados por todos aqueles que minimizando as nossas capacidades de raciocínio, querem fazer-nos crer que está tudo bem na Guiné-Bissau e que, os acontecimentos do passado 01 de Abril não passaram de simples "incidente".

 

Já se falou e se escreveu muito sobre os acontecimentos de 01 de Abril, mas tudo isso é pouco, face a tudo o que não foi dado a conhecer por quem de direito, com base na argumentação de que, para se preservar a boa imagem (?) da Guiné-Bissau, as autoridades devem continuar a mentir, omitindo ou desvalorizando os factos.

 

Hoje 10 de Abril, o Presidente da República, depois de se ter ausentado do país num momento extremamente delicado e com diversas questões por esclarecer, fez um discurso à Nação, condenando os acontecimentos de 01 de Abril e prometendo reestruturação "para breve" da chefia militar.

 

Que urgência, que motivos, que razões poderiam ter "obrigado" o Presidente da República da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, eleito pelo povo guineense, a ausentar-se do país num momento tão agitado e a proferir afirmações incoerentes sobre o que se passa na Guiné-Bissau, durante a sua estadia em Angola?

 

Serão vários os motivos obviamente, mas destaca-se principalmente a necessidade de Angola pretender obter informações e garantias sobre os acordos já rubricados com as autoridades da Guiné-Bissau em relação aos grandes  investimentos na área mineira e na construção do porto de águas profundas de Buba.

 

Angola tem fortes investimentos na Guiné-Bissau, tem adiantado muito dinheiro às suas autoridades, mas começa a ver ameaçados todos esses investimentos, devido à instabilidade na Guiné, mas também, pela manifesta desonestidade das autoridades guineenses que negoceiam e selam acordos com um parceiro, mas depois, voltam a negociar e a selar acordos com outros parceiros, na mesma área de interesse. Vejamos o que se segue:

 

1- O jornal português "Público" na sua edição de hoje, 10.04.2010, dá a conhecer uma interessante notícia que certamente terá chegado antes ao conhecimento das autoridades angolanas e que dá conta do seguinte: No meio da grande crise político-militar que a Guiné-Bissau está a viver, a "holding" West Africa Mining, da Suíça, anunciou que as suas prospecções de ouro no norte do país foram positivas. A licença que o Governo de Carlos Gomes Júnior concedeu ao grupo, em Junho do ano passado, "cobre a exploração de todos os recursos minerais do país", incluindo bauxite, lítio, irídio e diamantes.


2- O jornal África Monitor, na sua edição Nº 461, de 08.04.2010, faz referência ao seguinte: " Nas últimas semanas foram assinaladas manifestações de interesse em relação à construção do porto de Buba por parte de países como a Líbia (visita ao local de técnicos líbios). O interland que o porto de Buba pode servir é constituído por países de preponderância muçulmana.


Claro que estas notícias são preocupantes para Angola e justificam a chamada de Malam Bacai Sanhá a Angola, qual "empregado" do Presidente José Eduardo dos Santos!

 

Tomando em consideração as declarações proferidas pelo Presidente Malam Bacai Sanhá e referentes aos acontecimentos de 01 de Abril na Guiné-Bissau, aconselho o Sr. Presidente da República a ser mais ponderado, a evitar fazer declarações sobre o país quando se encontra no estrangeiro, pois demonstra falta de respeito e consideração para o povo que o elegeu.

 

Se não tinha feito nenhuma comunicação ao país sobre os acontecimentos de 01 de Abril, por que razão deu a conhecer aos órgãos de comunicação social angolanos aspectos delicados da vida nacional?

 

Por que afirmou que Zamora Induta “Não pode voltar a ser Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas por não ter condições políticas, morais e militares” quando todos sabem que está detido e qualquer pessoa, nessa circunstância, fica traumatizada?

 

Havendo vontade política, havendo reposição da ordem constitucional, não merecia Zamora Induta receber tratamento psicológico e ser reconduzido nas suas funções? Não seria este o procedimento normal?

 

Não teria Zamora Induta direito a manifestar ele próprio, se pretende, se é capaz, de retomar as suas funções?

 

Se Zamora Induta não tem condições políticas, psicológicas e militares para voltar a ser Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, será que o Primeiro-ministro Carlos Gomes Jr. também tem condições políticas, psicológicas e outras mais, para continuar a ser Chefe do Governo, depois de ter sido ameaçado de morte pelo Vice-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai e de ter sido acusado pelo mesmo de "matar muita gente"?

 

Quais foram os critérios utilizados pelo Sr. Presidente da República para avaliar as condições políticas, psicológicas e militares de um e de outro, para tomar partido de um e negar o direito a outro?

 

Sr. Presidente Malam Bacai Sanhá...

 

Também afirmou em Angola que: "o ex-Comandante “está bem de saúde ao cuidado das autoridades do país, mas com a liberdade limitada”

 

Ontem, 09.04.2010, viu-se e ouviu-se o Presidente do Observatório dos Direitos Humanos, Democracia e Cidadania da Guiné-Bissau, João Vaz Mané (depois de uma visita ao quartel de Mansoa onde Zamora Induta se encontra detido) afirmar que: Zamora Induta, está "extremamente doente" e detido em "condições péssimas".

 

Não foi isso que o Sr. Presidente da República disse aos órgãos de comunicação social em Angola... Ou seja, desconhecendo a real situação de Zamora Induta, fez declarações infundadas e gratuitas no estrangeiro...

 

Ainda mais grave, o Sr. Presidente da República disse à comunicação social angolana que Zamora Induta:" já foi substituído pelo antigo Vice-Chefe do Estado-Maior, António Indjai."

 

Como foi possível dizer uma coisa dessas em Angola, sem antes se dirigir ao povo guineense?

 

Como dizer uma coisa dessas, quando cabe ao Governo propor as chefias militares para que o Presidente da República confirme as nomeações?

 

Como foi possível, se nenhum decreto oficial foi emitido, promulgado ou vetado?

 

Sr. Presidente da República...

 

Ao tomar conhecimento da decisão do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos que acusa o ainda Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, "Papa" Camara e o ex-Chefe do Estado-Maior da Marinha (será que vai reassumir o cargo?), Bubo Na Tchuto, de serem narcotraficantes, o Sr. Presidente Malam Bacai Sanhá disse:

 

 “Somos contra o tráfico de droga, estamos a lutar contra o tráfico de droga. Se for verdade [a acusação], é grave”.

 

Sr. Presidente da República... O Estados Unidos podem demorar a acusar, mas quando o fazem, é sinal de que algo mais pretendem fazer. Não recuam nas suas acusações, venha donde vier e de quem vier o desmentido. Atenção que, as Nações Unidas, um dia depois dessas acusações anunciaram partilhar a visão dos Estados Unidos sobre o assunto...

 

Cabe agora às autoridades da Guiné-Bissau interpretar e avaliar as acusações e o posicionamento dos Estados Unidos, bem como da ONU. Se esses militares continuarem a fazer parte das chefias militares, se não houver nenhum inquérito sobre essas acusações, não tenho dúvidas de que os Estados Unidos conotarão as principais autoridades da Guiné-Bissau com o narcotráfico e aí, tanto pagarão os que estão directamente envolvidos, como os que apenas fazem de conta que o narcotráfico é (apenas) um problema da sub-região...

 

A propósito de uma peça jornalística sobre o envolvimento do actual Vice-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai no narcotráfico,  escrevi há dias o seguinte: Sr. Presidente Malam Bacai Sanhá, não tenho a sua versão sobre a notícia, mas se realmente for verdade que o Sr. Presidente decidiu desmentir o ocorrido no aeroporto de Cufar, afim de continuar a preservar a boa imagem da Guiné-Bissau face aos seus parceiros internacionais, digo-lhe que agiu muito mal e pôs em causa toda a sua credibilidade e, por assim dizer, a credibilidade do próprio Estado! Se o Sr. Presidente realmente desmentiu o ocorrido, alegando preservar a boa imagem do país, ninguém voltará a acreditar que o Sr. Presidente está determinado a combater o narcotráfico... É caso para perguntar: quem aconselhou o Sr. Presidente a preferir a mentira, quando a verdade nunca esteve tão perto na Guiné-Bissau? 

 


Ao Sr. Primeiro-ministro Carlos Gomes Jr. e sobre o seu posicionamento em relação às acusações dos Estados Unidos devo-lhe recordar que, sendo Primeiro-ministro e conhecedor de toda a podridão da Guiné-Bissau, nunca ajudou a descobrir as verdades sobre o que tem acontecido ao longo dos anos na Guiné-Bissau, precisamente porque é parte dessa podridão!

 

Há muito que o Sr. Primeiro-ministro Carlos Gomes Jr. sabe e de fonte segura, do envolvimento destes 2 chefes militares guineenses e outros, no narcotráfico, ou não é assim, Sr. Primeiro-ministro?!

 

Questiona o Sr. Primeiro-ministro:" Qual é a segurança que o Departamento de Estado (dos EUA), ao fazer esta publicidade, dá às autoridades deste país?"

 

Bem, o Sr. Primeiro-ministro levantou uma séria e importante questão, mas que serve para questionar outras realidades da Guiné-Bissau.

 

1- Se acusações graves implicam segurança, então, quem se atreveria a proferir acusações sobre as matanças de 1 e 2 de Março de 2009?

 

2- Se acusações graves implicam segurança, então quem se atreveria alguma vez a acusar um narcotraficante na Guiné-Bissau?

 

Ou seja, mesmo conhecendo os factos, as autoridades da Guiné-Bissau, por elas próprias omitirão sempre  esses factos, bloqueando a acção da Justiça, promovendo crimes, entre assassinatos, corrupção e narcotráfico.

 

Quer uma força militar americana na Guiné-Bissau antes de se fazerem acusações, Sr. Primeiro-ministro?

 

Solicite-a!

 

Também gostaria de questionar o Sr. Primeiro-ministro sobre a grave acusação proferida pelo Vice-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai, contra a sua pessoa: " O Cadogo é um assassino, matou muita gente!" O que tem a dizer o Sr. Primeiro-ministro sobre esta acusação?

 

Uma outra questão Sr. Primeiro-ministro:

 

O jornal português "Público" na sua edição de hoje, 10.04.2010, dá a conhecer uma interessante notícia que certamente terá chegado antes ao conhecimento das autoridades angolanas e que dá conta do seguinte: No meio da grande crise político-militar que a Guiné-Bissau está a viver, a "holding" West Africa Mining, da Suíça, anunciou que as suas prospecções de ouro no norte do país foram positivas. A licença que o Governo de Carlos Gomes Júnior concedeu ao grupo, em Junho do ano passado, "cobre a exploração de todos os recursos minerais do país", incluindo bauxite, lítio, irídio e diamantes.

 

Ou seja, em Junho de 2009, em plena campanha eleitoral para as presidenciais antecipadas, o Sr. Primeiro-ministro, que até estava e está a par do acordo assinado com Angola relativamente à exploração de bauxite, afinal, também resolveu negociar com os suíços, garantindo-lhes a a exploração de todos os recursos minerais do país", incluindo bauxite, lítio, irídio e diamantes.

 

Sr. Primeiro-ministro, a pouco e pouco quem não o conhece ou finge desconhecer vai ficando a saber do que o Sr. é capaz... Foi sempre assim, de negociata em negociata, através de actos desonestos e ilícitos, que o Sr. conseguiu ter hoje o império que tem.


Infelizmente há quem ache graça às suas propagandas, idolatrando-o, quando o Sr. ao invés de defender os interesses da Guiné-Bissau, como Primeiro-ministro, tem estado a servir-se desse cargo para agir como empresário e enriquecer-se cada vez mais com as negociatas que tem feito!

 

Ainda bem que a mediatização do que quer que seja não passa pelas suas empresas nem pela sua área de influência político-partidária, Sr. Cadogo!



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