Lisboa - O director do Departamento Nacional de  Investigação e Acção Penal (DNIAP) da Procuradoria-Geral da República, Wanderley Bento Mateus, é citado em meios da magistratura como estando a dar sinais de sonegação de um processo de corrupção aberto ano passado contra o antigo Cônsul-Geral de Angola em Lisboa, o  embaixador de carreira  Narciso Espírito Santo Júnior.

Fonte: Club-k.net

De acordo com apurações, o indiciado  diplomata  que exerceu o cargo de cônsul entre 2016 a 2021, foi alvo de duas inspecções de equipas da PGR, chefiadas por um magistrado identificado por Nicolau ,  que deslocaram-se a Lisboa em 2019, tendo  descoberto  graves irregularidades que resultaram  na abertura do processo 6763/2022 – DNIAP.

 

O antigo cônsul-Geral foi indiciado pelo crime de peculato, abuso de poder e de ter realizado despedimentos coercivos. A equipa que o investigou detectou, dentre várias infracções, alguns gastos duvidosos, tais como:


1 - Descoberta de uma factura,  na qual gastou de forma injustificada um milhão de euros para realização de uma festa com  150 pessoas, na Costa da Caparica, em Lisboa, em alusão ao dia da independência nacional, poucos meses depois de assumir o cargo de cônsul geral.


2- Despesa de 600 mil euros feitas  no luxuoso hotel Ritz de Lisboa contraídas num período de 4 meses. Assim que chegou a Portugal, o diplomata instalou-se numa suíte deste mesmo hotel na qual pagava a diária de 1700 euros, e outra de  1000 para a sua filha maior de idade de nome Nariete Wuesa Casimiro do Espirito Santo.  O  consulado gastava, por mês,  150 mil euros de hospedagem e de outros gastos, em nome da familia do diplomata  apesar de o governo de Angola ter comprado uma  residência oficial para quem exerce o cargo de  cônsul em Lisboa, mas  Narciso Espirito Santo Jr se recusava habitar. Os pagamentos foram feitos por cheque. 

 

3 - Sobrefacturação de preços em contratos, e em compras de mobílias pela empresa KUATRUS, ligada a uma amiga da esposa. O diplomata terá sobrefacturado igualmente com a compra de dois tapetes que alegou terem custado 75 mil euros  cada.


4 - Viagens semanais para Faro, ao sul de Portugal com um grupo restrito do seu gabinete (Edgar Neto e Lukenya Casimiro). As deslocações serviam para tomar proveito das ajudas de custo.

 

De acordo com fontes competentes, o processo ficou “encalhado” na  DNIAP, órgão adstrito da PGR, havendo desconfianças de ocorrência de alegadas contrapartidas. As  desconfiadas surgem pelo facto de o diretor do DNIAP Wanderley Bento Mateus, ter no currículo, o antecedente de ter abafado um outro processo 60/14-DNIAP, relacionado ao desfalque de Akz 400 dos balcões do BPC, em Malanje, ao tempo de uma directora regional Ilda Maria Elias Silva “Boneca”, que chegou a ser constituída arguida.

 

 



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