Luanda - Os países com quem Angola tem relações mais estreitas, em alguns casos fraternas, são representados em Luanda por embaixadores competentes, afáveis, amistosos e que não poucas vezes se desdobram em elogios ao nosso povo e ao Governo. São palavras sinceras, profundas e com toda a razão de ser.


Fonte: Jornal de Angola


Angola nasceu em circunstâncias de tal forma adversas que foi necessária uma força humana descomunal para enfrentar os obstáculos que se erguiam, dia após dia, ano após ano e ameaçavam a viabilidade do país. Ainda recordamos aquele apelo lancinante do cardeal D. Alexandre do Nascimento à comunidade internacional: “ajudai-nos, que perecemos!” Infelizmente, o prelado foi ouvido por muito poucos e muito menos por aqueles que assumiram especiais responsabilidades no processo de paz.


Face a esta realidade, temos a certeza de que os elogios dos senhores embaixadores acreditados em Angola ao nosso povo e ao nosso Governo são sinceros e revelam uma genuína admiração por tudo o que fomos capazes de realizar e construir.


Alguns diplomatas preferem o silêncio. Mas sob esse manto silencioso estão acções concretas que revelam uma fraternidade consequente e uma solidariedade inquebrantável. Os irmãos não precisam de elogios mútuos nem de reconhecimentos públicos. Em família todos sabemos o que somos, quanto valemos e conhecemos o momento exacto em que precisamos uns dos outros. Ao longo dos anos de independência, os países irmãos de Angola têm demonstrado essa fraternidade sem vacilações. E Angola tem retribuído com a mesma firmeza e com os mesmos afectos de sempre. Nós nunca mudámos de campo nem abrimos os braços fraternos por força das circunstâncias. De resto, temos sempre os braços abertos a quem vier por bem.


Apraz-nos registar que o senhor embaixador Dan Mozena tem sido o diplomata que mais se tem desdobrado em acções de solidariedade, simpatia e elogios rasgados aos nossos governantes e ao nosso povo. De resto, temos a honra de contar com ele entre os colunistas do nosso jornal. E essa não é uma excepção. Ao contrário, nenhum embaixador angolano tem a visibilidade mediática que têm os senhores embaixadores em Angola. Nenhum diplomata angolano tem as portas abertas da Presidência da República dos países onde está acreditado como têm os senhores embaixadores acreditados em Angola.


Não referimos estas circunstâncias por serem especiais. De forma nenhum o são. É esta a nossa maneira de ser de estar no mundo. Somos leais, somos fraternos, somos solidários e a amizade e a boa hospitalidade fazem parte do nosso código genético.


O que é surpreendente em tudo isto é que os elogios e as atitudes amistosas dos senhores embaixadores acreditados em Angola depois têm consequências contrárias nos seus países. Acreditamos que os senhores embaixadores fazem relatórios para os seus governos em linha com os elogios públicos que dispensam ao nosso Governo e ao nosso povo. Mas, pelos vistos, os relatórios tornados públicos dos departamentos de Estado desses países, são contrários aos elogios.

Nós convivemos todos os dias com esses distintos diplomatas e temos a certeza de que eles são leais, sinceros e honrados. Por isso, alguma coisa está mal nas capitais dos países que eles representam e nos serviços estatais que permanentemente publicam relatórios que apresentam uma Angola deturpada. Ficámos a saber que alguns países com quem Angola tem relações diplomáticas acreditam mais em associações que são pagas para embaciar a imagem de Angola do que nos seus honrados e competentes embaixadores.


Esperamos, pacientemente, que aquilo que está mal se regenere rapidamente e o bom-senso se associe ao respeito que todos os países e povos merecem. Não fica bem a nenhum país desenvolvido gastar fortunas colossais em campanhas de liquidação de governos e regimes que lhes são adversos ou suspeitam que venham a ser.


Aconselhamos à leitura de uma entrevista concedida ao nosso jornal pelo senhor embaixador do Reino Unido que garantiu sentir-se em casa, sendo esse igualmente o espírito da comunidade britânica em Angola. O senhor embaixador Richard Wildash disse uma grande verdade: falta contacto humano às nossas relações. Porque se houver mais contactos humanos, a informação não fica bloqueada nas chancelarias.



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