Lisboa -  Foi o  único dirigente da UNITA,  atingido pelo marketing  de diabolização contra a figura de Jonas Savimbi, na decada de 90. Na altura a UNITA era propagada nas cidades como um movimento racista. O pormenor de  que  a pessoa de confiança para cuidar da saúde do Jonas Savimbi era um branco punha  em causa a propaganda do regime. Para salvaguardá-la  foram postos a circular  rumores   insinuando que  Carlos Morgado castrava os  comandos da guarda presidencial  de Savimbi para se tornarem inúteis como homens. 


Fonte: Club-k.net


A difamação era destinada  a mostrar que era um branco “igual” a Savimbi. Nos dias de hoje,  o regime nega ser autor deste trabalho. Uma versão  do seu meio  alega que os rumores  partiram  das hostes da  própria UNITA, no seguimento da captura de um soldado das FALA. A  versão diz  que no sentido de querer agradar as autoridades com informações “preciosas” contra o “Galo Negro”, o soldado capturado  teria inventado esta historia de que, os guardas da presidência eram castrados por Carlos Morgado sobre ordens de Jonas Savimbi.

 

Carlos Jorge Viegas  Morgado nasceu no Sambizanga e cresceu no bairro catambore  em Luanda onde fez os  estudos primários e liceais. Perto da casa dos 15 anos aderiu  a juventude da UNITA e na azafama da independência  viu-se obrigado a refugiar-se em  Portugal. Em 1984 concluiu o curso de medicina pela Universidade  do porto. Enquanto estudante foi  responsável  da JURA na zona norte de Portugal   e ajudou a criar  núcleos que hoje constituem as bases da UNITA naquele país europeu.


Logo após a sua  formação, o governo português impôs-lhe a condição de cumprir a tropa portuguesa antes de ser colocado como Medico. Não concordando com  a  condição,  preferiu seguir, em 1987,  para a Jamba-Angola.  Foi reintegrado no exercito  passando a ser  o director da saúde  militar das FALA.  A esposa  passou a dar aulas. 

 

Como medico-militar, mostrava se  corajoso em  ir para as frentes de  combates para prestar  assistência  aos  soldados. Esteve em 1989 em Mavinga para reunir-se com  os Deficientes de Guerra. Na altura Carlos Morgado já estava promovido ao grau de coronel  e membro do Comitê Permanente da Comissão Política direcção da UNITA. Tornou-se igualmente   medico pessoal de Jonas Savimbi e mais tarde  Ministro da Saúde do Governo da chamada “Terras Livres de Angola.”

 

Enquanto medico pessoal de Savimbi e membro da alta hierarquia do partido fez parte de uma delegação presidencial da UNITA que em Junho de 1988 foi recebida pelo então Presidente norte-americano Ronald Reagan na Casa Branca. Em Setembro de 1990 tornou a fazer parte da comitiva de Savimbi e  Chitunda que desta vez  foram   recebidos  em Washington  por George Bush “pai”. No ano, a seguir após aos acordos de Bicesse, Jonas Savimbi  chamou-lhe novamente para integrar a maior delegação presidencial da UNITA levada ao estrangeiro (Alemanha, Bélgica, França e etc ) entre 31 de Maio a 11 de Junho de 1991.

 

No seguimento do  VII congresso da  UNITA foi indicado “Ministro dos quadros” do um governo sombra que o “Galo Negro” ia se ensaiando, uma vez que estavam convencidos que ganhariam as eleições.  Logo após    aos acordos de Bicesse juntou-se ao elenco de dirigentes que Savimbi enviou a Luanda em 1991. Em  Dezembro do mesmo ano foi animador de um alargado encontro com  os quadros da UNITA na capital do país realizado no cinema Kipaka. (esteve ladeado do general Eugenio Manuvakola)

 

Quando em finais de 1992  se registrou  confrontos entre militares da UNITA e do governo, nas ruas de Luanda,  Carlos Morgado tomou parte de um encontro  com Jeremias Chitunda, Salupeto Pena e Abel Chivukuvuku que planeavam preparar a saída  de Luanda. Horas antes cuidou  soldados das FALA feridos. Ficou sem meios (ampicilina  e outros) tendo apelado  ao governo angolano  que “pelo menos”  os soldados feridos fossem levado para serem tratados no hospital militar.  Não foi a tempo, de socorrer mais ninguém,   porque a sua vida também estava em risco. Na tentativa da fuga foi alvejado nos membros inferiores, nas mediações do largo Serpa Pinto (redondezas do ex liceu Salvador Correia). Foi levado para o hospital  Militar e mais tarde para as instalações do Ministério da Defesa onde ficou  cerca de seis meses sob custodia do exercito governamental, tempo  que coincide com a morte do pai em Portugal.

 

Jonas Savimbi que se encontrava refugiado no Huambo mostrava-se  preocupado com a  situação do seu medico pessoal. A  9 de Março de 1993 fez uma mensagem “a nação”  exigindo  a  libertação do mesmo: “Exigimos imediatamente a libertação do Dr. Morgado que, por uma questão de humanidade, seja dada liberdade ao Dr. Morgado para ir visitar a sua mãe, para abraçar a sua mãe, que perdeu o marido. Nós, do lado da UNITA, estamos a envidar esforços e, quando sair a nossa Delegação, a Celita Morgado saia com a sua criança para ir para Portugal encontrar-se com o seu marido. É deles que depende voltarem para Angola ou não. Serem da UNITA ou deixarem de ser da UNITA. Que também o MPLA responda ao desafio” (fim de citação)

 

Na tentativa de se  criar um Governo de unidade integrando elementos das duas partes (UNITA e MPLA), Jonas Savimbi propôs que Carlos Morgado fizesse parte do executivo   como Vice-Ministro da Assistência e Reinserção Social. (Os outros eram: Victorino Domingos Hossi para Ministro da Cultura;  Estevão José Pedro Kachiungo para Vice-Ministro das Obras Públicas e Urbanismo e Lukamba “Gato” para Vice-Presidente da Assembléia Nacional). Os mesmos nunca chegaram a ser nomeados ou exercer estas funções devido ao impasse que se verificava.

 

Em  1993 tomou posse como deputado e Savimbi fez dele o Primeiro Presidente da Bancada Parlamentar da UNITA a Assembléia Nacional. Entretanto, diante ao clima de desconfiança que reinava, o mesmo abandonou Luanda e foi  indicado representante da UNITA em  Portugal e membro da missão externa. Em seu lugar foi indicado um novo medico  pessoal de Savimbi, o  Dr Leon,  de origem congolesa.

 

Em Fevereiro de 1995 foi ao Bailundo participar no VIII Congresso da UNITA. teve tratamento vip com direito a cadeira  ao lado do Presidente e do SG do partido, denotando  indicação de reiteração da confiança de Savimbi.  Em Junho do ano  a  seguir, o líder da guerrilha  faz uma digressão pela África e o mesmo foi  convocado para estar em Marrocos para se encontrar com o “mais velho”.

Enquanto membro da Missão externa (ME) em Portugal passou  actuar como “head center” de uma rede de inteligência, da UNITA naquele espaço europeu. Era dos poucos representantes no exterior que tinha linha direita com o presidente da UNITA (sem ter que passar pelo coordenador da M.E, Isaias Samakuva). A 1 de Maio de 2001, Jonas Savimbi recebeu dele uma mensagem sua reportando o  encontro  com um  suposto emissário de JES, Tito Gonçalves que fez entregue de uma Carta do PR angolano endereçada ao Presidente da UNITA. 

Nove meses depois, reagiu com cepticismo quanto as primeiras informações na media mundial  davam conta da morte em combate de Jonas Savimbi. Foi o  primeiro a denunciar que de inicio o regime estava a manter negociações com o general “Kamorteiro  que estava na condição de capturado e que a  direção da UNITA não validava. Foi dado como radical pela media angolana. Já tinha  o antecedente de critico do PR através de reações duras. JES “vingou-se” dele rejeitando o seu nome quando mais tarde era proposto para integrar ao GURN como ministro da Saúde.

 

Com fim da guerra em 2002  e durante a vigência da Comissão de Gestão foi desmobilizado como brigadeiro e elevado a  Secretario dos Assuntos Sociais da UNITA. No  IX congresso que elegeu Isaias Samakuva como Presidente do partido, o mesmo desempenhou papel preponderante, coadjuvando Abel  Chivukuvuku no “Estado Maior da Campanha”. Após o conclave foi indicado Secretario da Saúde e Ambiente, cargo que depois veio abandonar quando decidiu regressar a Lisboa para fazer um  Mestrado em Saúde Pública. Foi o responsável pela integração dos ex-quadros da UNITA da Saúde (na maioria enfermeiros) no sistema da saúde publica governamental. No X congresso, foi mandatário da campanha de Abel Chivukuvuku no conclave que re-nomeou Isaias Samakuva.

 

Após a conclusão do mestrado,  regressou a Angola. Prestou assessoria a trabalhos na Open Socity , realizou palestras  e colaborou com temas ligados a saúde nas paginas do Jornal Folha8. Em finais de 2009, esteve envolvido num projecto sobre saúde publica na Universidade Católica de Angola.

 

Actualmente,  é professor das Universidades Metodista e Católica de Angola. Personalidades que já trabalharam com ele  descrevem-no como “pessoa muito inteligente, eticamente humilde e aberto ao dialogo”.



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