Lisboa - 1 . A retirada de Américo Amorim da Ciminvest (participação de 49% no capital da Nova Cimamgola e controlo da respectiva gestão), ocorreu num ambiente descrito como “anuviado” das suas relações com Isabel dos Santos, sua sócia na referida empresa; o desfecho é atribuído a uma acumulação de discrepâncias em termos de gestão.


Fonte: AM

Em meios empresariais angolanos conjectura-se que o fim dos interesses de A Amorim no sector cimenteiro angolano e as circunstâncias em que tal ocorreu, o levarão provavelmente a abandonar outras parcerias com I dos Santos, entre as quais no BIC-Banco Internacional de Crédito.

 

Sindika Dokolo, marido de I dos Santos e administrador da Nova Cimangola por parte da participação da mesma na Ciminvest, mantinha um entendimento considerado “difícil” com o administrador representante de A Amorim – sendo as causas de tais dificuldades repartidas entre ambos.

 

2 . Como factor adicional a considerar na relativa deterioração do estado das ligações societárias, entre ambos os parceiros, em geral, também é apontado nos mesmos meios empresariais o caso de Mário Silva, um ex-quadro de topo desvinculado da holding de A Amorim, posteriormente recrutado por I Santos.

 

Apontado como um dos mais aptos quadros ao serviço de A Amorim (influente na definição da suas estratégias empresariais), foi dispensado por reflexo de supostas pressões de familiares do empresário aos quais este presta atenção, para os quais o cerne dos seus negócios deve constituir reserva da família.

 

I dos Santos, que na condução dos seus negócios cultiva uma política de contratação de bons quadros, recrutou M Silva – que conhecera antes, no âmbito dos seus negócios com A Amorim. Este, posto ao corrente do facto, apenas solicitou que os dossiês referentes aos seus negócios com I dos Santos não passassem por M Silva.

 

3 . Ante o cenário que então começava a desenhar-se da saída de A Amorim da Nova Cimangola, ainda foram postas em marcha, há c 3 meses, iniciativas conduzidas por indivíduos e meios ligados ao mesmo e a I dos Santos tendo em vista favorecer um compromisso susceptível de evitar tal desfecho.

 

O elemento justificativo das iniciativas foi o de que tal saída poderia vir a ter impacto nefasto noutros negócios conjuntos de A Amorim e I dos Santos – o que seria negativo para a imagem do país. A condição que A Amorim apresentou, mas não fez vencimento, foi o reforço da sua participação na Nova Cimangola, de modo a elevar as suas competências de gestão.


A previsão de uma próxima retirada de A Amorim do BIC é baseada em informações segundo as quais vem manifestando reservas relativamente à gestão do banco (neste momento com um elevado volume de crédito mal parado). A Amorim considera que a gestão do banco nem sempre se baseia em boas práticas do negócio bancário.

 

3 . O momento considerado “menos bom” por que passam as ligações de A Amorim e I Santos no campo dos negócios comuns, também é associado a um outro factor: a aproximação que se vem registando entre a empresária e a Sonae, de Belmiro de Azevedo, aparentemente por iniciativa da mesma.

 

Em razão dos seus interesses empresariais em Portugal, já considerados vastos, I dos Santos considera vantajoso ter um influente parceiro português – que no caso de deixar de ser A Amorim, poderia vir a ser B de Azevedo. O sector para o qual a parceria da Sonae é particularmente desejada é o da distribuição.


B Azevedo manifestou sempre reservas em alargar as suas actividades a Angola invocando, entre outros argumentos, o da corrupção no país. A sua entrada no mercado angolano, tendo em conta a sua atitude do antecedente, favorece a imagem externa de Angola, por sugerir que as reserva em que a mesma se baseava estão dissipadas.



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