Luanda - O Serviço de Investigação Criminal (SIC), no município de Belas, apresentou, na terça-feira, 20, dois cidadãos, um deles pedreiro de profissão, que se faziam passar por médicos, dedicando-se à prática de abortos clandestinos.

Fonte: ISTO É NOTÍCIA

Pacientes sem dinheiro eram obrigadas a pagar com sexo

De acordo com o porta-voz do SIC-Luanda, superintendente-chefe Fernando de Carvalho, os acusados criaram uma página na rede social Facebook, denominada ‘Tira-se Gravidez de um a cinco meses’, na qual publicitavam o ‘trabalho’ que desenvolviam.

 

Alertados mediante uma denúncia anónima, o SIC fez deslocar os seus operativos do Belas à residência dos acusados, tendo estes sido detidos em flagrante delito, após efectuarem o aborto a uma jovem de 22 anos, que teve de desembolsar 25 mil kwanzas, acabando também detida, por o aborto ser crime.

 

O responsável do SIC explicou que os acusados cobravam um valor que rondava entre os 15 e os 25 mil kwanzas, e quando a ‘paciente’ não tivesse os valores em mãos, era obrigada a manter contacto sexual com os mesmos como forma de pagamento.

 

“No local, encontrámos em flagrante um dos acusados a manter relações sexuais com uma adolescente de 16 anos de idade, que pretendia fazer um aborto. Ela está grávida de um mês e pretendia fazer aborto, mas não tinha os 15 mil kwanzas exigidos pelo falso médico. Este propôs a menina manter relações sexuais com ela, antes de fazer o aborto”, contou o responsável do SIC.

 

A jovem detida explicou às autoridades que estava grávida de dois meses e que pretendia interromper a gestação, por isso contactou o suposto médico, conhecido apenas por Lucas, tendo-lhe assegurado que faria o aborto ao preço de 25 mil kwanzas.

 

Após desembolsar o dinheiro recebido, os acusados submeteram a rapariga a uma intervenção intra-uterina, que resultou na interrupção efectiva da gravidez.

 

O SIC disse que foram encontrados e apreendidos vários materiais cirúrgicos, bem como uma motorizada de três rodas e dois telemóveis.