Santa Sé – O Papa Francisco recebe nesta sexta-feira no Vaticano um rol de artistas de todo o planeta, 50 anos após idêntica reunião do então Papa Paulo VI. O músico angolano Paulo Flores é um dos convidados do Sumo Pontífice. O artista afirma-se honrado com o convite para representar, nomeadamente, Angola e a língua portuguesa.

Fonte: RFI


O encontro ficou agendado para a Capela Sistina, no Vaticano, logo às 9 horas.

 

A 23 de Junho de 1973 o Papa Paulo VI tinha recebido um grupo de artistas de todo o mundo. Uma audiência que se inscrevia na senda do Concílio Vaticano II que tinha reformado a Igreja católica vincando a sua modernização e a abertura ao mundo moderno.

 

O Papa Francisco enviou uma série de convites a artistas. Um dos contemplados para esta audiência papal foi o compositor, músico e cantor angolano Paulo Flores.

 

O artista de 50 anos grava desde 1988 com um percurso iniciado em torno do kizomba, estilo moderno misturando ritmos angolanos, como o semba, e outros das Caraíbas.


Percussões tradicionais, guitarra, acordeão, bateria ou sintetizador fazem parte do rol de instrumentos que ilustram a sua música ao longo das décadas.

 

A "carreira artística e a relevância nacional do autor angolano" teriam pesado neste convite do chefe dos católicos, segundo a embaixada angolana em Paris.

 

O artista Paulo Flores afirma-se honrado com o convite para representar, nomeadamente, Angola e a língua portuguesa, desconhecendo, com exactidão qual o leque de artistas que estará presente no Vaticano que deve contemplar, também, "artistas plásticos, escultores e de várias áreas."

 

"Essencialmente é uma grande honra representar, de alguma maneira, Angola e a cultura de Angola, os angolanos, e também a língua portuguesa e tudo aquilo que significa, na minha expressão artística. O que mais me comoveu no convite do Papa Francisco foi o facto de eles terem frisado a minha obra e o humanismo que está presente, e a preocupação com os outros que está também muito presente nas minhas criações. "

 

"Essencialmente é levar o recado dos angolanos e pedir, também, ao Papa que ore por nós (...) Vamos participar no documentário que ele está a fazer sobre essa efeméride. Acabo por ser um apreciador da forma como ele tem levado o seu pontificado. Uma vez que ele tem feito uma inclusão grande, tanto em termos dos homossexuais, das novas tendências. Acho que tem sido um Papa que tem abordado também os problemas da Igreja, seja com os abusos sexuais, seja com tudo isso... acho que tem feito uma abertura para a Igreja que, de alguma maneira, deixa a Igreja mais próxima das pessoas. Acho que é o grande mérito que o Papa tem."