Luanda — O músico e activista angolano Gilson da Silva Moreira, mais conhecido por Tanaice Neutro, solto na sexta-feira, 23, após vários apelos da sociedade civil e da Amnistia Internacional (AI), diz estar a preparar uma queixa-crime contra o Governo junto das instituições nacionais e internacionais.

Fonte: VOA

Ele afirma ter sido vítima de tortura física por inúmeras vezes nas diversas prisões em que esteve.


Na altura, o SIC acusou-o de ultraje por produzir vídeos nos quais chamou o Presidente da República de “palhaço” e as autoridades de “ignorantes”.

 

Já em liberdade, em conversa com a Voz da América, o activista promete responsabilizar criminalmente o Governo.

 

“Estou sim a preparar uma queixa, eu fui preso por causa das eleições. Eles dizem que eu cometi o crime de ultraje na nossa constituição, por esse crime eu devia pagar uma multa, então como entenderam que eu não aceitaria o que devia acontecer eles me prenderam”, afirma.


Amnistia Internacional entrega petição com milhares de assinaturas a pedir a libertação de Tanaice Neutro

 

Tanaice Neutro revela que foi agredido fisicamente nas prisões de Luanda onde esteve encarcerado.

 

“Fui batido, não tive direito a assistência médica, enviaram a prisões solitárias mesmo sem eu ter feito nada”, conclui.

 

Em Outubro de 2022, Tanaice Neutro foi julgado e condenado pelo crime de ultraje ao Estado, seus símbolos e órgãos a uma pena suspensa de 15 meses, tendo o juiz ordenado a sua libertação imediata por motivos de saúde o que somente aconteceu agora.

 

O activista passou 528 dias na prisão.