Luanda - Bons ventos políticos sopram do Índico. Moçambique, este, continua a mostrar que é um dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que se mantém na “linha da frente” no que à promoção da democracia interna no seio do partido no poder local diz respeito.

Fonte: Club-k.net

Os militantes com responsabilidades políticas e legitimidade moral têm procurado chamar a atenção da FRELIMO. Fazem-no sem medo de perderem o emprego, as benesses ou de serem abalroados por uma bala perdida nas avenidas, ruas, becos, vielas ou travessas de Maputo.

Há dias, a antiga primeira dama e ex-ministra da Educação moçambicana sentou-se diante da sua escrivaninha, ajeitou os óculos no rosto, pegou na caneta, rasgou umas linhas e endereçou uma carta com palavras duras à direção da FRELIMO.

Graça Machel afirmou, na referida carta, que o partido no poder em Moçambique foi "assaltado por um grupo minoritário" e desafia a FRELIMO a "reconhecer honestamente as derrotas" e a "pedir desculpas ao povo".

Ah!, quem dera Maria Eugênia Neto ou Ana Paula dos Santos ter a mesma coragem, legitimidade e autoridade moral e política para fazer o mesmo aqui deste lado do Oceano Atlântico!

Graça Machel destaca, na sua epístola, que a “inércia, inação e complacência dos quadros [do partido] permitiu que se gerasse e consolidasse a narrativa de que a FRELIMO é formada por ladrões, assassinos e arrogantes".

Ora, lá (Moçambique), como cá (Angola), a narrativa é igual. O assunto é (muito) popular. Mas os políticos dão uma de João Sem Braço (leia-se desentendido) e ignoram com sucesso o que a Sociedade vai dizendo.

Ah, como gostaria de ver Maria Eugênia Neto ou Ana Paula dos Santos mostrarem a sua força, raça, legitimidade, autoridade moral e política (será que a têm?), seguindo o exemplo de Graça Machel, dizendo ao MPLA verdades que doem, insofismáveis e com frases abertas.

Mas está mais do que visto e comprovado que os ventos do Índico não movem os moinhos políticos do lado de cá, do Atlântico.

Não obstante, todavia, porém , contudo, estimaria muito saber se Maria Eugênia Neto e Ana Paula dos Santos têm o estofo moral e legitimidade política para seguirem o exemplo de Graça Machel e chamarem o MPLA à razão.