Luanda - Em vésperas de celebrar o 48º aniversário da Independência Nacional, que se assinala amanhã, Angola apresenta hoje ao mundo, em cerimónia de inauguração a ser presidida pelo Chefe de Estado, o Novo Aeroporto Internacional de Luanda.

Fonte: JA

Quando faltam apenas dois anos para o país celebrar o cinquentenário da Independência Nacional, a entrada em funcionamento de uma obra com a envergadura do Novo Aeroporto Internacional de Luanda - e de todas as outras infra-estruturas ferroviárias e rodoviárias que complementam o projecto - é o testemunho da ambição que Angola tem em dar um novo impulso à sua economia.

Marca, sem dúvida, um momento de viragem na história da aviação angolana, cujos reflexos deverão ser sentidos, em primeira linha, no plano social e económico. No plano social porque o conjunto das obras erguidas tem influência positiva na criação de postos de emprego, na melhoria considerável das condições de mobilidade dos cidadãos, na satisfação e no orgulho que sentimos em ter um aeroporto internacional que se equipara aos melhores de África e do mundo.

No âmbito económico, as projecções sobre as capacidades e o potencial do NAIL falam por si. O transporte de 130 mil toneladas de carga por ano, com possibilidade de atingir as 400 mil toneladas por ano se forem realizados novos investimentos, a movimentação de 15 milhões de passageiros por ano, dos quais 10 milhões a nível internacional e 5 milhões a nível doméstico, são números que, se falarmos de arrecadação de receitas, podem representar um encaixe financeiro de longe cinco vezes superior ao que proporciona o actual Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.

Mas é óbvio - e é bom referir - que esses números não serão alcançados de imediato, mal o NAIL comece logo a operar. Até porque, primeiro vão começar os voos de carga, só no final do primeiro trimestre do próximo ano entrarão em cena os domésticos e, depois, mas ainda em 2024, as ligações internacionais.

O aumento do número de voos, até atingir valores próximos aos 15 milhões de passageiros por ano, é um processo que vai levar anos e exigir medidas combinadas, processo no qual o Executivo já tem vindo a trabalhar por via de acções para a melhoria do ambiente de negócios, de modo a atrair investidores, por um lado, e, por outro, procurando trazer para o país turistas das mais diversas origens interessados em conhecer Angola.

Recentemente, um decreto presidencial determinou que passam a estar isentos de visto de turismo, por um período de até 30 dias por entrada e 90 dias por ano, cidadãos de 98 países.

É preciso não esquecer que o Novo Aeroporto Internacional de Luanda foi concebido para, também, servir de plataforma para multiplicar as ligações com as capitais africanas e, desse modo, contribuir para a redução dos custos de transportação nas viagens dentro do continente.

Com a aquisição de novas aeronaves (seis Airbus 220-300 e quatro Boeing 787 Dreamliner), além de reforçar as ligações com outros destinos, a TAAG vai juntar-se aos esforços de outras companhias aéreas africanas que têm contribuído para tornar mais denso o intercâmbio comercial, cultural e político entre os actores africanos.

Por conseguinte, não se olhe só para a envergadura da obra que é o NAIL do ponto de vista da sua utilidade económica futura. No plano político-diplomático a nova infra-estrutura confere a Angola, de modo muito singular, a possibilidade de consolidar a sua posição de país aberto ao mundo, de atrair não apenas investidores europeus e asiáticos, mas também africanos.

Um aeroporto não é apenas um local onde as pessoas de várias origens aguardam o momento para embarcarem no avião que os transportará ao destino pretendido. E, por assim ser, saltou à vista na reportagem deste diário sobre o empreendimento, a referência à oferta - além de outros, como a Internet, a comunicação fluida em várias línguas, etc. - de serviços vitais e culturais como salas de amamentação e de oração.

Os aeroportos são um espaço multicultural em que é preciso garantir a comodidade do passageiro e o direito de todo o cidadão que viaja a sentir-se confortável. Esse sentimento de conforto - antes, durante e depois de terminada a viagem - é um elemento de avaliação da qualidade dos serviços prestados. O NAIL quer estar na linha da frente em termos de classificação a nível internacional.

Por último, importa realçar a visão de longo prazo que presidiu a construção do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto: até 2050, a população angolana deverá aumentar e passar dos actuais 33 milhões para 70 milhões de habitantes. Garantir que as gerações vindouras tenham as melhores condições de existência possível requer que se trabalhe agora e com afinco. É o que está a ser feito.